sábado, 24 de outubro de 2026
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Tradições de Mato Grosso do Sul: conheça a cultura sul-mato-grossense

Conheça as principais tradições de Mato Grosso do Sul, como tereré, chamamé, sopa paraguaia, chipa, viola de cocho, festas populares e artesanato indígena, além de dicas para vivenciar essas manifestações com respeito.

As tradições de Mato Grosso do Sul refletem a mistura de povos, territórios e histórias que formaram o estado. Costumes indígenas, influências paraguaias e bolivianas, heranças de migrantes de outras regiões do Brasil e modos de vida ligados ao Pantanal aparecem na música, na culinária, nas festas, no artesanato e nas rodas de conversa.

Por isso, a cultura sul-mato-grossense não se resume a uma única manifestação. Ela está presente no tereré compartilhado entre amigos, no som do chamamé e da polca paraguaia, no preparo da sopa paraguaia, nas festas religiosas, nas danças populares, na viola de cocho, nos grafismos indígenas e nos hábitos do cotidiano.

Este guia apresenta algumas das principais tradições de Mato Grosso do Sul e explica como elas podem ser conhecidas e valorizadas de maneira responsável.

Tereré é uma das marcas da cultura sul-mato-grossense

O tereré é uma bebida preparada com erva-mate e água fria, geralmente servida em uma guampa e compartilhada por meio de uma bomba. Diferentemente do chimarrão, associado ao consumo quente da erva-mate, o tereré é tomado gelado e se tornou um dos símbolos da convivência social em Mato Grosso do Sul.

A tradição está ligada aos povos Guarani e à história da erva-mate na região de fronteira. Em muitas comunidades, a bebida não representa apenas uma forma de consumo, mas também um ritual de encontro. A cuia ou a guampa passa de pessoa para pessoa, acompanhada de conversa, descanso e sociabilidade.

Para quem deseja conhecer esse costume, o mais importante é observar as regras do grupo que oferece a bebida. Em geral, a pessoa recebe o recipiente, toma a quantidade servida e o devolve para que seja reabastecido. Como há variações de hábitos entre famílias e regiões, vale perguntar antes de participar.

O tereré foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Unesco, em uma inscrição relacionada à cultura paraguaia. No Mato Grosso do Sul, contudo, a prática faz parte do cotidiano e da identidade cultural, sobretudo nas cidades de fronteira.

Chamamé, polca e guarânia embalam as festas

A música de Mato Grosso do Sul recebeu forte influência das tradições do Paraguai e de outros países da Bacia do Prata. Entre os gêneros mais associados ao estado estão o chamamé, a polca paraguaia e a guarânia.

O chamamé combina música, canto, dança e festividade. Uma de suas características mais conhecidas é o abraço próximo entre os dançarinos. O gênero se espalhou pela faixa de fronteira e passou a integrar bailes, encontros comunitários e eventos culturais em diferentes municípios sul-mato-grossenses.

Em 2017, o chamamé foi declarado patrimônio cultural imaterial de Mato Grosso do Sul pela Fundação de Cultura do estado. O gênero também foi reconhecido pela Unesco como patrimônio cultural imaterial da humanidade em 2020, em uma inscrição vinculada à Argentina, país de origem da manifestação.

Quem quiser conhecer essa tradição pode procurar apresentações de grupos regionais, festivais de música, bailes comunitários e programações organizadas por instituições culturais. A agenda costuma variar ao longo do ano, por isso é recomendável consultar os canais oficiais da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul e das prefeituras.

Culinária de fronteira reúne sabores indígenas, paraguaios e brasileiros

A gastronomia é uma das formas mais acessíveis de conhecer as tradições de Mato Grosso do Sul. A culinária do estado reúne ingredientes e técnicas de diferentes origens, com destaque para mandioca, milho, erva-mate, peixes, carnes, frutas do Cerrado e produtos associados à vida rural.

A chipa é um dos alimentos mais conhecidos. Preparada com polvilho ou farinha de mandioca e queijo, ela pode ter formatos variados e é encontrada em padarias, feiras, mercados e vendedores ambulantes. A receita tem origem paraguaia e foi incorporada ao cotidiano de muitas cidades sul-mato-grossenses.

Outro prato tradicional é a sopa paraguaia. Apesar do nome, trata-se de uma preparação sólida, semelhante a um bolo salgado, feita tradicionalmente com milho, cebola e queijo. A receita está presente em refeições familiares, lanchonetes e eventos que valorizam a culinária de fronteira.

Também fazem parte do repertório regional o churrasco acompanhado de mandioca, o arroz carreteiro, a galinhada, pratos com peixe e doces preparados com frutas nativas. Entre os ingredientes e sabores associados ao estado estão a guavira, o jaracatiá e o cumbaru.

A gastronomia de fronteira não deve ser vista como uma coleção de receitas isoladas. Ela expressa o trânsito de pessoas, ingredientes e costumes entre Brasil, Paraguai e Bolívia, além da contribuição dos povos indígenas e de comunidades formadas por diferentes correntes migratórias.

Viola de cocho, cururu e siriri revelam a cultura pantaneira

A viola de cocho é um instrumento tradicional produzido a partir de uma peça única de madeira escavada, que dá origem ao corpo do instrumento. Seu nome está relacionado ao modo de fabricação, semelhante ao de um cocho. A prática artesanal e musical está presente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O instrumento acompanha manifestações como o cururu e o siriri. O cururu tem caráter mais solene e está relacionado à música, à oralidade e a momentos de devoção. O siriri costuma apresentar caráter mais festivo, com dança, canto e participação coletiva.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional reconhece o modo de fazer a viola de cocho como bem cultural imaterial registrado no Livro dos Saberes desde 2005. A transmissão desse conhecimento depende do trabalho de mestres, artesãos, músicos e grupos comunitários.

Para conhecer essas manifestações, o visitante pode procurar apresentações culturais, oficinas, museus, centros de memória e eventos realizados em municípios do Pantanal e em outras cidades do estado. É importante verificar previamente se a atividade é aberta ao público e se há autorização para fotografar ou filmar os participantes.

Artesanato indígena preserva técnicas e identidades

Mato Grosso do Sul abriga povos indígenas como Guarani, Kaiowá, Terena, Kadiwéu, Kinikinau, Guató e Atikum. A presença desses povos aparece em celebrações, formas de expressão, técnicas artesanais, culinária, narrativas e modos de relação com o território.

A cerâmica Terena, os grafismos Kadiwéu, a cestaria, a tecelagem e os trabalhos com fibras, sementes, madeira e barro estão entre as expressões mais conhecidas. Cada peça pode carregar referências próprias, ligadas à comunidade, à história familiar e ao conhecimento transmitido entre gerações.

Ao comprar artesanato indígena, é recomendável procurar associações, feiras, lojas de economia solidária ou vendedores que informem a origem das peças. A compra direta de artesãos e organizações comunitárias contribui para a remuneração de quem produz e ajuda a manter os saberes tradicionais.

Também é importante evitar tratar objetos sagrados, grafismos ou símbolos específicos como simples decoração. Perguntar sobre o significado e respeitar as orientações dos próprios artesãos são atitudes fundamentais para uma experiência responsável.

Festas religiosas e celebrações populares fazem parte da memória coletiva

As festas religiosas ocupam espaço importante na cultura sul-mato-grossense. Entre as manifestações tradicionais estão celebrações dedicadas a santos, festas juninas, Folias de Reis, festejos de Nossa Senhora de Caacupé, Festa do Divino Espírito Santo e eventos ligados à devoção popular.

Em Corumbá e Ladário, o Banho de São João é uma das celebrações mais conhecidas. A tradição reúne cortejos, famílias, grupos religiosos, música e rituais relacionados ao santo. A programação pode mudar a cada edição, por isso as informações sobre datas, locais e regras de participação devem ser consultadas junto às prefeituras e às organizações responsáveis.

As festas populares também incluem eventos gastronômicos, festivais de música, encontros de dança, feiras de artesanato e celebrações vinculadas à produção rural. Essas atividades funcionam como espaços de transmissão cultural, porque aproximam crianças, jovens, adultos e idosos dos conhecimentos da comunidade.

Danças e brincadeiras tradicionais ajudam a transmitir saberes

Entre as danças e expressões populares associadas a Mato Grosso do Sul estão catira, siriri, cururu, quadrilha, chupim, polcas, chamamé e outras formas de dança influenciadas pelas culturas fronteiriças e rurais.

A catira se caracteriza pelo palmeado, pelo sapateado e pelos versos acompanhados de viola. Já o siriri costuma envolver movimentos coletivos e pode aparecer em apresentações folclóricas, festas comunitárias e atividades educativas.

Há ainda manifestações relacionadas a lendas, festas de santo e brincadeiras tradicionais, como o toro candil. O repertório pode variar de acordo com o município, a comunidade e a forma de transmissão adotada por cada grupo.

Para aprender, a melhor alternativa é participar de oficinas, apresentações e atividades conduzidas por mestres ou grupos reconhecidos localmente. Vídeos e textos ajudam na pesquisa, mas não substituem a convivência com quem mantém a tradição viva.

Como conhecer as tradições de Mato Grosso do Sul

Quem deseja vivenciar a cultura sul-mato-grossense pode seguir alguns cuidados práticos:

  • consulte a programação da Fundação de Cultura, das prefeituras e dos espaços culturais antes de sair;
  • visite feiras, museus, centros de memória, mercados municipais e eventos comunitários;
  • experimente pratos regionais em estabelecimentos que informem a origem dos ingredientes e das receitas;
  • compre artesanato diretamente de produtores, associações ou iniciativas comunitárias;
  • peça autorização antes de fotografar pessoas, rituais, objetos religiosos ou atividades indígenas;
  • evite reduzir uma cultura a estereótipos ou atribuir a uma única comunidade uma tradição que possui várias influências;
  • respeite as regras de cada festa, aldeia, comunidade, museu ou espaço de apresentação.

Também é possível consultar informações sobre patrimônio imaterial no portal do Iphan e acompanhar notícias da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul. Esses canais podem ajudar a localizar eventos, roteiros culturais e ações de preservação.

Por que preservar as tradições sul-mato-grossenses

As tradições de Mato Grosso do Sul preservam memórias, fortalecem vínculos comunitários e ajudam a compreender a formação histórica do estado. Elas também movimentam feiras, eventos, turismo, produção artesanal, música e gastronomia.

Preservar não significa manter uma prática congelada no passado. Muitas manifestações continuam sendo recriadas pelas novas gerações, que adaptam instrumentos, receitas, roupas, formas de apresentação e meios de divulgação sem romper necessariamente com seus fundamentos.

O cuidado principal é garantir que essa transformação ocorra com participação das comunidades detentoras dos saberes. Conhecer a cultura sul-mato-grossense, portanto, envolve mais do que consumir uma comida típica ou assistir a um espetáculo: significa reconhecer as pessoas, os povos e as histórias que mantêm essas tradições vivas.

Entre o tereré compartilhado, o som do chamamé, a viola de cocho, a culinária de fronteira, as festas religiosas, as danças e o artesanato indígena, Mato Grosso do Sul apresenta uma cultura diversa, marcada pelo encontro entre diferentes territórios e identidades.