A fauna de Mato Grosso do Sul é uma das mais diversificadas do Brasil. O estado reúne ambientes associados ao Pantanal, ao Cerrado, à Mata Atlântica, ao Chaco e às florestas sazonais, formando uma paisagem com rios, áreas alagáveis, campos, matas, veredas e grandes extensões de vegetação nativa.
Essa variedade de ambientes permite a ocorrência de centenas de espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e invertebrados. Um levantamento divulgado pela Embrapa registra 678 espécies de aves no estado, enquanto estudos citados em documentos ambientais apontam 166 espécies de mamíferos já registradas em Mato Grosso do Sul. (embrapa.br)
Conhecer essa diversidade ajuda a entender a importância dos rios, das matas ciliares, das áreas protegidas e das propriedades rurais que mantêm fragmentos de vegetação. Também orienta moradores e visitantes sobre como observar animais silvestres sem causar danos.
Quais biomas influenciam a fauna de Mato Grosso do Sul?
A distribuição dos animais no estado está diretamente ligada aos diferentes tipos de vegetação e às condições de água, solo, relevo e clima. Em documentos técnicos, Mato Grosso do Sul é descrito como uma área de encontro entre formações do Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Chaco. Essa combinação contribui para a elevada riqueza de vertebrados. (imasul.ms.gov.br)
Pantanal
O Pantanal ocupa uma parte expressiva do oeste de Mato Grosso do Sul e é marcado pelo ciclo anual de cheias e períodos de estiagem. A alternância entre áreas alagadas e secas modifica a oferta de alimento e abrigo, influenciando a movimentação dos animais.
Entre as espécies associadas ao Pantanal estão a onça-pintada, a ariranha, o cervo-do-pantanal, o tuiuiú, o jacaré-do-pantanal, a capivara, o tamanduá-bandeira e diferentes espécies de peixes. O bioma também abriga grande diversidade de aves aquáticas e migratórias.
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o Pantanal possui cerca de 124 espécies de mamíferos, 463 espécies de aves e 325 espécies de peixes, além de milhares de espécies de plantas. (gov.br)
Cerrado
O Cerrado está presente em várias regiões de Mato Grosso do Sul e reúne campos, savanas, cerradões, matas de galeria e veredas. É um ambiente adaptado a períodos de seca e ao fogo natural, embora a conversão de áreas nativas possa reduzir a disponibilidade de abrigo e alimento.
O bioma é habitat de animais como lobo-guará, tamanduá-bandeira, tatu-canastra, ema, seriema, veado-campeiro, anta, jaguatirica e diversas espécies de serpentes, lagartos, sapos e aves.
A presença de matas de galeria é especialmente importante porque esses corredores acompanham rios e córregos, oferecem proteção para a fauna e conectam diferentes fragmentos de vegetação.
Mata Atlântica e florestas sazonais
Remanescentes de Mata Atlântica e de florestas estacionais ocorrem principalmente nas regiões sul, leste e sudeste do estado. Mesmo fragmentadas, essas formações ainda abrigam macacos, felinos, aves, morcegos, roedores, anfíbios e répteis.
As áreas de floresta também funcionam como refúgio para espécies que dependem de árvores, folhas, frutos e ocos para sobreviver. A conservação desses fragmentos é necessária para manter a circulação dos animais e reduzir o isolamento das populações.
Chaco e áreas de transição
Na porção oeste e sudoeste de Mato Grosso do Sul, há influência de formações associadas ao Chaco e a ambientes secos de transição. Esses locais apresentam espécies adaptadas a temperaturas elevadas, menor disponibilidade de água em determinadas épocas e vegetação mais aberta.
As áreas de transição aumentam a complexidade ecológica do estado. Por isso, a proteção não deve se concentrar apenas em um bioma, mas considerar também os corredores entre diferentes formações naturais.
Quais são os principais animais encontrados no estado?
A fauna sul-mato-grossense inclui espécies de grande porte, animais de hábitos noturnos, aves coloridas, répteis, anfíbios e uma grande variedade de peixes.
Mamíferos
Entre os mamíferos mais conhecidos estão a onça-pintada, a onça-parda, a anta, o cervo-do-pantanal, o veado-campeiro, o cateto, a queixada, a capivara, o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, o tamanduá-mirim, o tatu-canastra, a ariranha, a jaguatirica e o macaco-prego.
Esses animais ocupam diferentes posições na cadeia alimentar. Grandes felinos, por exemplo, dependem da disponibilidade de presas e de áreas extensas para se deslocar. Já mamíferos herbívoros e frugívoros contribuem para a dispersão de sementes e para a manutenção da vegetação.
Aves
O tuiuiú é um dos símbolos da fauna do Pantanal, mas não é a única ave de destaque em Mato Grosso do Sul. Araras, papagaios, periquitos, garças, carcarás, gaviões, corujas, seriemas, emas, mutuns e aves passeriformes também podem ser encontrados em diferentes regiões.
A diversidade de aves está relacionada à variedade de ambientes. Brejos e lagoas favorecem espécies aquáticas; campos abertos são importantes para emas e seriemas; enquanto matas e áreas arborizadas servem de abrigo para psitacídeos, tucanos e outras aves que dependem de frutos e cavidades.
Répteis e anfíbios
Jacarés, jabutis, cágados, lagartos e serpentes fazem parte da fauna do estado. Entre os anfíbios, há sapos, rãs e pererecas, que desempenham funções importantes no controle de insetos e também servem de alimento para outros animais.
Anfíbios são sensíveis às alterações na qualidade da água, à destruição de áreas úmidas e à contaminação do ambiente. Por isso, sua presença pode ajudar pesquisadores a acompanhar as condições ecológicas de rios, lagoas, brejos e matas.
Peixes e animais aquáticos
Os rios e corixos do Pantanal, além de cursos d’água de outras regiões do estado, sustentam uma comunidade diversificada de peixes. Espécies como pacu, pintado, dourado, jaú e curimbatá são conhecidas pela importância ecológica, cultural e econômica.
A pesca deve seguir as regras ambientais vigentes, incluindo períodos de restrição, tamanhos mínimos, locais permitidos e espécies protegidas. Como essas normas podem mudar, é importante consultar os canais oficiais antes de pescar.
Onde observar animais silvestres em Mato Grosso do Sul?
A observação pode ocorrer em unidades de conservação, áreas rurais autorizadas, parques, reservas particulares e empreendimentos de turismo de natureza. Regiões do Pantanal, da Serra da Bodoquena, do entorno de Bonito, do Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema e de áreas protegidas próximas a Campo Grande oferecem ambientes com diferentes possibilidades de avistamento.
A presença de animais não é garantida e varia conforme a estação, o horário, o nível dos rios, a disponibilidade de alimento e o grau de preservação do local. O mais indicado é contratar condutores autorizados quando a atividade exigir conhecimento do território ou acesso a áreas particulares.
Durante a observação, mantenha distância, não tente tocar ou alimentar os animais e evite ruídos. Também não é recomendado usar drones, lanternas fortes ou flash sem autorização, pois esses recursos podem alterar o comportamento da fauna.
O que fazer ao encontrar um animal silvestre?
Animais silvestres podem aparecer em áreas urbanas, rodovias, quintais e propriedades rurais. Em muitos casos, o animal está apenas se deslocando e não precisa de intervenção humana.
- Não capture, persiga ou tente levar o animal para casa.
- Mantenha crianças e animais domésticos afastados.
- Evite oferecer comida, água ou medicamentos.
- Não tente retirar espinhos, cortar redes ou tratar ferimentos por conta própria.
- Se houver risco para pessoas, trânsito ou para o próprio animal, procure o órgão ambiental responsável pela área.
- Em situações de emergência, busque orientação junto aos canais oficiais do município, do órgão ambiental estadual ou das forças de segurança ambiental.
O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul mantém o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres, conhecido como CRAS, que atua no atendimento, tratamento e recuperação de animais. O órgão informa que o centro recebe aves, mamíferos, répteis, anfíbios e até invertebrados. (imasul.ms.gov.br)
Quais são as principais ameaças à fauna?
A perda e a fragmentação de habitats estão entre os principais riscos para os animais. A abertura de áreas para atividades agropecuárias, a retirada de vegetação nativa, os incêndios, a caça, o tráfico de animais, a pesca irregular, os atropelamentos e a poluição podem reduzir populações e interromper rotas de deslocamento.
As mudanças no regime de chuvas e os eventos extremos também afetam áreas alagáveis, fontes de água e disponibilidade de alimento. No Pantanal, por exemplo, períodos de seca intensa podem aumentar a vulnerabilidade dos animais e favorecer a ocorrência de incêndios de grandes proporções.
A conservação depende da criação e manutenção de unidades de conservação, da recuperação de matas ciliares, do planejamento de estradas, da fiscalização e da participação de proprietários rurais, comunidades tradicionais, pesquisadores e moradores.
Como ajudar na conservação da biodiversidade?
Atitudes simples contribuem para proteger a fauna de Mato Grosso do Sul. Não compre animais silvestres sem origem legal, não solte espécies em ambientes desconhecidos e denuncie atividades suspeitas aos órgãos competentes.
Em áreas rurais, a manutenção de nascentes, corredores de vegetação e reservas legais amplia as condições de abrigo e deslocamento. Em áreas urbanas, o cuidado com resíduos, fios elétricos, queimadas e animais domésticos reduz acidentes.
Também é possível apoiar projetos de pesquisa, educação ambiental e ciência cidadã. O programa Biota MS tem entre seus objetivos monitorar a biodiversidade dos biomas estaduais, produzir dados sobre fauna e flora e subsidiar ações de conservação. (semadesc.ms.gov.br)
A diversidade da fauna sul-mato-grossense resulta da combinação de vários biomas e ambientes. Preservar essa riqueza exige proteger tanto os animais mais conhecidos, como a onça-pintada e o tuiuiú, quanto espécies menores e menos visíveis, que desempenham funções essenciais nos ecossistemas.
Fontes oficiais e informações complementares
Para consultar dados sobre biodiversidade, áreas protegidas e atendimento à fauna, acesse o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, o programa Biota MS, o ICMBio e publicações técnicas da Embrapa.





