sábado, 24 de outubro de 2026
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Animais do Pantanal sul-mato-grossense: espécies que podem ser encontradas na região

Conheça os principais animais que vivem no Pantanal sul-mato-grossense, saiba em quais ambientes eles costumam aparecer e veja cuidados para observar a fauna com segurança e responsabilidade.

O Pantanal sul-mato-grossense abriga uma das faunas mais diversas do Brasil. Entre áreas alagadas, rios, baías, corixos, campos e matas, vivem mamíferos, aves, répteis, peixes e anfíbios adaptados ao ciclo de cheias e secas que caracteriza a região.

Entre os animais mais conhecidos estão a onça-pintada, a arara-azul, o tuiuiú, o jacaré-do-pantanal, a capivara, o cervo-do-pantanal, a sucuri e a ariranha. Também podem ser encontrados tamanduás, antas, queixadas, catetos, pacas, cutias, macacos, lontras, emas e dezenas de espécies de peixes.

A observação, no entanto, depende da época do ano, do ambiente visitado, do comportamento dos animais e das condições de acesso. Nenhuma espécie tem presença garantida em um determinado passeio, e o encontro com animais silvestres deve ocorrer sem aproximação, alimentação ou tentativa de contato.

Por que o Pantanal tem tanta variedade de animais?

O Pantanal é uma grande planície sujeita a períodos de inundação e estiagem. A variação do nível dos rios transforma a paisagem ao longo do ano e cria diferentes ambientes para alimentação, reprodução e abrigo.

As áreas de água aberta favorecem peixes, jacarés, capivaras e aves aquáticas. Campos e vazantes são utilizados por cervos, emas, veados, tamanduás e outros mamíferos. Nas matas ciliares e nos capões, é possível encontrar macacos, araras, tucanos, felinos e animais de hábitos mais discretos.

De acordo com o ICMBio, o bioma reúne centenas de espécies de aves, mamíferos e peixes. A diversidade também é influenciada pela proximidade com formações do Cerrado e de outros ambientes naturais da Bacia do Alto Paraguai. (gov.br)

Mamíferos encontrados no Pantanal sul-mato-grossense

Onça-pintada

A onça-pintada é um dos animais mais emblemáticos do Pantanal. O maior felino das Américas utiliza áreas próximas a rios, corixos, baías e matas para se deslocar, caçar e descansar. Apesar de ser uma espécie conhecida, o avistamento não é garantido: a onça tem comportamento discreto e pode percorrer grandes áreas.

Durante passeios de barco, safáris fotográficos e deslocamentos por estradas rurais, o visitante deve manter distância e seguir as orientações do guia. Nunca se deve tentar atrair o animal com comida, fazer barulho para provocar uma reação ou sair do veículo sem autorização.

Cervo-do-pantanal

O cervo-do-pantanal é o maior cervídeo da América do Sul e está associado a áreas alagadas, campos úmidos e margens de rios. Sua pelagem castanho-avermelhada e as galhadas dos machos facilitam a identificação, embora a distância e a vegetação possam dificultar a observação.

O animal costuma ser visto em áreas abertas, especialmente quando procura alimento. Mesmo com aparência tranquila, não deve ser perseguido nem cercado para fotografia. A aproximação pode causar estresse e alterar o comportamento natural da espécie.

Capivara

A capivara é um dos mamíferos mais fáceis de encontrar em áreas próximas à água. Vive em grupos e costuma permanecer nas margens de rios, lagoas e baías. Pode ser observada descansando, nadando ou se alimentando de vegetação.

Por ser relativamente tolerante à presença humana, a capivara aparece com frequência em roteiros de observação de fauna. Ainda assim, não deve receber alimentos nem ser tocada. Filhotes podem ficar próximos dos adultos, e a presença de cães pode provocar reações defensivas.

Ariranha e lontra

A ariranha e a lontra são mamíferos semiaquáticos que dependem de rios e outros corpos d’água. A ariranha é maior, costuma viver em grupos e pode emitir vocalizações durante a atividade. A lontra é menor e geralmente mais difícil de observar.

Os dois animais se alimentam principalmente de peixes e utilizam margens, barrancos e vegetação para se deslocar ou descansar. Passeios de barco conduzidos por profissionais podem aumentar as chances de observação, mas o silêncio e a distância são essenciais para não interromper a atividade dos animais.

Anta, tamanduá e porcos-do-mato

A anta pode ser encontrada em áreas de mata, campos e margens de cursos d’água. É um animal de grande porte, geralmente solitário e de hábitos discretos. O tamanduá-bandeira também circula por campos e áreas de vegetação aberta, onde procura formigas e cupins.

Entre os porcos-do-mato estão o queixada e o cateto. Eles podem formar grupos e se deslocar por áreas de mata e campos. Ao perceber a presença desses animais, o visitante deve reduzir o ruído e manter distância, especialmente quando houver filhotes.

Macacos, cutias e pacas

Macacos, cutias e pacas participam da dispersão de sementes e fazem parte da dinâmica das matas pantaneiras. Macacos podem ser observados nas árvores, enquanto cutias e pacas costumam circular pelo chão, principalmente em áreas com oferta de frutos e sementes.

Alimentar esses animais provoca dependência, altera hábitos e pode aumentar conflitos com pessoas. A recomendação é observar sem oferecer frutas, biscoitos ou qualquer outro tipo de comida.

Aves que podem ser vistas no Pantanal

Tuiuiú

O tuiuiú é considerado um dos símbolos do Pantanal. A ave tem grande porte, corpo predominantemente branco, cabeça e pescoço escuros e uma faixa vermelha na região do papo. É comum encontrá-la em áreas alagadas, margens de rios e campos úmidos.

O tuiuiú pode permanecer imóvel por longos períodos, à procura de peixes e outros pequenos animais. Também utiliza árvores e estruturas altas para repouso e construção de ninhos.

Arara-azul

A arara-azul é uma das espécies mais admiradas pelos visitantes. Sua plumagem azul e o bico forte tornam a identificação simples, principalmente quando voa em pares ou pequenos grupos. A ave se alimenta de frutos e sementes, com destaque para espécies de palmeiras presentes no bioma.

O Pantanal é uma área importante para a conservação da arara-azul. A observação deve ser feita sem perseguição, reprodução de sons para atraí-la ou aproximação de ninhos. O Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal destaca a arara-azul entre as espécies mais conhecidas da fauna pantaneira. (gov.br)

Tucanos, araçaris e papagaios

Tucanos, araçaris, papagaios, maritacas e periquitos são comuns em áreas de mata e nas proximidades de árvores frutíferas. Esses grupos costumam ser identificados pelas cores do bico e da plumagem, além dos chamados que emitem.

Para observá-los, é melhor escolher horários de menor calor, manter o silêncio e procurar movimentos nas copas das árvores. Binóculos ajudam a identificar as espécies sem a necessidade de aproximação.

Garças, biguás, socós e carcarás

Garças, biguás e socós estão associados a ambientes aquáticos. Podem ser vistos pescando ou repousando em margens, troncos e áreas rasas. O carcará, por sua vez, ocupa diferentes ambientes e pode aparecer em campos, estradas e áreas abertas.

A presença de aves aquáticas costuma aumentar em locais com peixes e outros alimentos disponíveis. Durante passeios de barco, é importante evitar ruídos excessivos e não conduzir a embarcação contra grupos de aves ou áreas de reprodução.

Ema e outras aves de áreas abertas

A ema pode ser encontrada em campos e áreas de vegetação baixa. É uma ave grande, que não voa, mas corre com velocidade. Também fazem parte da fauna do Pantanal espécies como seriema, joão-de-barro, carcará, gaviões e diversas aves pequenas.

A observação em estradas exige atenção redobrada. Animais podem atravessar a pista de forma inesperada, especialmente no início da manhã e no fim da tarde.

Répteis e anfíbios do Pantanal

Jacaré-do-pantanal

O jacaré-do-pantanal é encontrado em rios, baías, corixos e áreas alagadas. É comum observar indivíduos tomando sol nas margens ou parcialmente submersos. A espécie desempenha papel importante no equilíbrio dos ambientes aquáticos.

Mesmo quando parece imóvel, o jacaré é um animal silvestre e deve ser observado de uma distância segura. Não é recomendado nadar em locais desconhecidos, caminhar próximo às margens sem orientação ou tentar tocar os animais.

Sucuri e outras serpentes

A sucuri utiliza ambientes associados à água e pode ser encontrada em rios, lagoas, brejos e áreas de vegetação densa. No Pantanal sul, também ocorre a sucuri-amarela, além de outras serpentes como a jiboia.

O avistamento é ocasional e não deve ser provocado. Caso uma serpente seja encontrada em uma trilha, estrada ou área de hospedagem, a orientação é afastar-se, impedir que outras pessoas se aproximem e comunicar a equipe responsável pelo local.

Teiú, jabutis e cágados

O teiú pode aparecer em áreas abertas, bordas de mata e propriedades rurais. Jabutis e cágados ocupam ambientes terrestres ou aquáticos, dependendo da espécie. Esses animais contribuem para a dispersão de sementes e para a cadeia alimentar.

O visitante não deve capturar, transportar ou levar animais silvestres para casa. Mesmo espécies aparentemente dóceis podem transmitir doenças, sofrer lesões ou não sobreviver fora do ambiente natural.

Peixes do Pantanal sul-mato-grossense

Os rios e baías do Pantanal abrigam uma grande variedade de peixes. Entre os mais conhecidos estão pacu, dourado, pintado, cachara, jaú, piranha, traíra, piraputanga, curimbatá e espécies de cascudos.

O ciclo de cheias e secas influencia a alimentação, a reprodução e o deslocamento desses animais. Na época das águas altas, muitos peixes alcançam áreas alagadas para se alimentar e reproduzir. Quando o nível da água baixa, a concentração em rios, corixos e baías pode facilitar a observação durante atividades autorizadas.

A pesca deve obedecer às regras ambientais vigentes, incluindo períodos, espécies, tamanhos e locais permitidos. Antes de pescar, o visitante deve consultar os órgãos oficiais e contratar operadores regularizados quando necessário.

Qual é a melhor forma de observar os animais?

Não existe uma única época ideal para encontrar todas as espécies. O período de seca costuma facilitar a visualização em algumas áreas porque os animais se concentram perto de fontes de água. Já a cheia transforma a paisagem e amplia a oferta de ambientes aquáticos.

Os melhores horários, em geral, são o começo da manhã e o fim da tarde, quando muitas espécies estão mais ativas. A escolha do roteiro também faz diferença: passeios de barco favorecem a observação de animais aquáticos, enquanto trilhas e deslocamentos terrestres ampliam as chances de encontrar aves, cervos e mamíferos de áreas abertas.

A Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul cita, entre os animais observados em áreas da Estrada Parque Pantanal, capivaras, jacarés, cervos-do-pantanal, ariranhas, emas, tuiuiús, garças, araras e tucanos. A ocorrência varia conforme o trecho, a estação e as condições do ambiente. (turismo.ms.gov.br)

Cuidados para visitar o Pantanal com responsabilidade

  • Observe os animais de longe e nunca tente tocá-los.
  • Não ofereça alimentos nem deixe resíduos no ambiente.
  • Evite sons altos, lanternas diretamente nos olhos e o uso de drones sem autorização.
  • Respeite trilhas, áreas restritas, ninhos, tocas e locais de reprodução.
  • Siga as instruções do guia, da pousada, da unidade de conservação ou do órgão responsável.
  • Reduza a velocidade em estradas onde há circulação de animais.
  • Não compre animais silvestres, penas, peles ou produtos de origem ilegal.
  • Em caso de animal ferido ou em situação de risco, comunique a equipe local ou o órgão ambiental competente.

A preservação da fauna depende da manutenção dos rios, das matas ciliares, das áreas alagadas e dos corredores naturais usados pelos animais. Para o visitante, a principal contribuição é observar sem interferir e escolher serviços que adotem boas práticas ambientais.

O que levar para observar a fauna

Binóculo, câmera com lente de alcance, roupas leves de cores discretas, chapéu, protetor solar, repelente e calçados adequados podem tornar o passeio mais confortável. Também é importante levar água, respeitar as orientações de segurança e verificar previamente as condições do roteiro.

O encontro com um animal selvagem é uma experiência imprevisível. Por isso, mais importante do que procurar uma espécie específica é conhecer o ambiente, respeitar seus limites e compreender que a fauna deve permanecer livre para se alimentar, descansar e se reproduzir.

O Pantanal sul-mato-grossense reúne uma combinação rara de paisagens e espécies. Onças, cervos, araras, tuiuiús, jacarés, capivaras, peixes e muitos outros animais fazem parte de um sistema vivo que muda ao longo do ano. Com planejamento e responsabilidade, é possível conhecer essa diversidade sem transformar a observação em ameaça para os animais.

Fontes consultadas

Informações gerais sobre a biodiversidade foram consultadas em páginas do ICMBio, do Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal, da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul e da Embrapa. (gov.br)