sábado, 24 de outubro de 2026
Tecnologia

O que o estudo do Fórum Econômico Mundial indica sobre a preparação profissional para 2030

Levantamento baseado na expectativa de empregadores ao redor do mundo mostra quais habilidades devem ganhar importância, permanecer estáveis ou perder espaço até 2030.
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O mercado de trabalho deve passar por mudanças aceleradas até 2030, sob influência do avanço tecnológico, das transformações sociais e das novas demandas do setor produtivo. Um estudo do Fórum Econômico Mundial, destacado no relatório “Core Skills in 2030”, organiza as habilidades profissionais até 2030 conforme a expectativa de empregadores ao redor do mundo.

O levantamento separa as competências em quatro grupos: Habilidades Emergentes, Habilidades Essenciais para 2030, Habilidades Estáveis e Habilidades Fora de Foco. A classificação indica quais conhecimentos e comportamentos devem ganhar importância, quais continuarão relevantes e quais tendem a deixar de ser diferenciais no ambiente profissional.

Competências que devem sustentar o trabalho em 2030

Entre as habilidades apontadas como essenciais estão conhecimentos relacionados à inteligência artificial e ao big data, além de pensamento analítico, criatividade, resiliência, flexibilidade, agilidade, liderança, influência social, alfabetização tecnológica, motivação e autoconsciência.

A presença dessas competências no mesmo grupo reflete a combinação entre domínio de ferramentas digitais e capacidades associadas à tomada de decisões, à convivência profissional e à adaptação. O estudo indica que o avanço da automação não elimina a importância das habilidades humanas, mas muda a forma como elas se relacionam com a tecnologia.

Inteligência artificial e análise de dados

A inteligência artificial e o big data aparecem entre os conhecimentos que devem ganhar espaço com a digitalização dos processos. A expectativa apresentada no material é de que o uso dessas ferramentas seja cada vez mais comum em análises e decisões.

Nesse cenário, profissionais que compreendem e utilizam recursos de inteligência artificial e análise de dados podem encontrar uma vantagem competitiva no mercado. A aplicação dessas tecnologias não fica restrita a um único setor, porque a automação e o tratamento de informações passam a fazer parte de diferentes atividades econômicas.

Pensamento analítico e criatividade

O pensamento analítico é associado à capacidade de interpretar dados, resolver problemas complexos e avaliar alternativas. Já a criatividade é apresentada como uma competência importante para desenvolver soluções, produtos e serviços em um ambiente de maior automação.

O relatório destacado no material considera que a criatividade humana continuará relevante justamente em tarefas que exigem inovação e elaboração de respostas para situações novas. A combinação entre análise e criatividade deve ser aplicada tanto à identificação de problemas quanto à construção de soluções.

Resiliência, flexibilidade e agilidade

As mudanças frequentes nas empresas e no mercado devem exigir profissionais capazes de responder a novas demandas. Por isso, resiliência, flexibilidade e agilidade aparecem como habilidades essenciais para lidar com desafios e reorganizar prioridades.

O material associa essas competências ao chamado mindset ágil, entendido como uma forma de atuação voltada à adaptação diante de mudanças. A capacidade de ajustar métodos e comportamentos pode se tornar importante em organizações que adotam novas tecnologias e alteram seus processos de trabalho.

Liderança, influência social e inteligência emocional

A liderança e a influência social também estão entre as competências consideradas importantes para 2030. O estudo relaciona essa necessidade à formação de equipes mais diversificadas e distribuídas globalmente.

O perfil de liderança descrito deve incluir a capacidade de motivar e orientar pessoas em ambientes remotos e multiculturais. A motivação e a autoconsciência completam esse conjunto de habilidades, com foco na gestão das próprias emoções e na capacidade de manter o empenho profissional.

Segundo o material, profissionais com maior inteligência emocional podem apresentar melhor desempenho e produtividade em suas funções. A competência é apresentada como parte de um conjunto de habilidades humanas que permanece relevante mesmo com o avanço das ferramentas automatizadas.

Habilidades emergentes ganham espaço

Além das competências consideradas essenciais, o relatório aponta habilidades emergentes que podem se tornar diferenciais para profissionais interessados em acompanhar as mudanças do mercado. Entre elas estão cibersegurança e redes, gestão ambiental e sustentabilidade, design e experiência do usuário, curiosidade e aprendizado contínuo.

Cibersegurança e redes

A digitalização dos negócios amplia a importância da segurança da informação. Nesse contexto, conhecimentos de cibersegurança e redes aparecem como áreas com expectativa de crescimento.

A demanda está relacionada à necessidade de proteger sistemas, informações e operações em um ambiente no qual as empresas dependem cada vez mais de recursos digitais. O material destaca que a área deve continuar atraindo atenção à medida que os negócios incorporam novas tecnologias.

Gestão ambiental e sustentabilidade

A gestão ambiental e a sustentabilidade também são apresentadas como habilidades em ascensão. O texto relaciona esse movimento ao interesse crescente das empresas por práticas sustentáveis.

A competência pode ser relevante para diferentes indústrias, segundo o material-base. A sustentabilidade, nesse contexto, é tratada como uma frente que passa a integrar as atividades de gestão e os processos das organizações.

Design e experiência do usuário

O design centrado no usuário aparece associado à experiência do consumidor no ambiente digital. Com a expansão de marcas, produtos e serviços em plataformas digitais, a forma como as pessoas interagem com essas soluções ganha importância.

O relatório indica que a experiência do usuário pode se tornar um fator de diferenciação para empresas e produtos. Por isso, conhecimentos relacionados ao design e à compreensão das necessidades do público são apontados entre as habilidades emergentes.

Curiosidade e aprendizado contínuo

A curiosidade e o aprendizado contínuo completam o grupo de competências emergentes destacado no estudo. A justificativa apresentada é que as mudanças tecnológicas e profissionais ocorrem de maneira constante.

Nesse ambiente, a formação não termina com a obtenção de um diploma ou com o domínio de uma ferramenta específica. A disposição para aprender ao longo da carreira é apresentada como uma forma de acompanhar transformações, atualizar conhecimentos e lidar com novas exigências.

Habilidades que podem perder força como diferencial

O levantamento também identifica competências que tendem a perder relevância como diferenciais competitivos, embora continuem tendo utilidade em determinadas atividades. O grupo inclui leitura, escrita e matemática básica, destreza manual e precisão, além de atenção aos detalhes e precisão.

O material ressalta que leitura, escrita e matemática básica permanecem fundamentais. A mudança prevista está no fato de que ferramentas automatizadas podem assumir parte das tarefas relacionadas a essas competências, reduzindo seu peso como fator de diferenciação profissional.

A destreza manual e a precisão também são citadas entre as habilidades que podem perder espaço, especialmente em tarefas físicas e detalhadas. O texto associa essa tendência ao avanço da automação na manufatura e na indústria.

A atenção aos detalhes e a precisão, por sua vez, continuam relevantes em algumas áreas, mas já têm parte de suas funções assumida por sistemas automatizados e recursos de inteligência artificial. A projeção não elimina a necessidade dessas capacidades, mas indica uma mudança na prioridade dada a elas.

Como profissionais e empresas podem se preparar

A preparação para o mercado de trabalho de 2030, conforme a conclusão apresentada no material, passa pelo desenvolvimento combinado de tecnologia, inovação e inteligência emocional. O aprendizado contínuo é apontado como elemento central para acompanhar a velocidade das mudanças.

Entre as habilidades destacadas para esse processo estão pensamento analítico, criatividade, liderança e alfabetização tecnológica. O conjunto reúne competências técnicas e comportamentais que podem ser aplicadas em diferentes funções e setores.

Para as empresas, o texto aponta a capacitação dos funcionários como uma frente de preparação para a economia digital. A formação das equipes é apresentada como forma de ampliar a capacidade de resposta diante de novos desafios e ferramentas.

O mapa apresentado pelo Fórum Econômico Mundial não organiza apenas conhecimentos técnicos. Ele também mostra a importância de adaptação, autonomia, capacidade de aprender e relacionamento com outras pessoas. A projeção para 2030, portanto, combina o uso de tecnologias com a atuação humana em decisões, lideranças e processos de inovação.

Sobre o autor

Tiago Paiva é publicitário e estudou Liderança da Inovação no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e Direção de Projetos Complexos em Cambridge. Esteve à frente da Gerência de Projetos Estratégicos no Ministério da Educação e foi membro do Conselho da RNP.

Paiva liderou o planejamento de projetos complexos, como Ronda no Bairro e Modernização do Transporte Público em Manaus. Como diretor-presidente da Processamento de Dados do Amazonas, gerenciou um orçamento de R$ 350 milhões, com transparência e prestação de contas. Também coordenou inovações técnicas e administrativas.

Como coordenador-geral de Modernização da Suframa, impulsionou o desenvolvimento econômico por meio da gestão de incentivos fiscais no Polo Industrial de Manaus. Também liderou projetos estaduais no governo do Amazonas, com atuação relacionada ao desenvolvimento sustentável.

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