domingo, 25 de outubro de 2026
SAÚDE

Saúde do homem é tema de campanhas e ações de prevenção em Mato Grosso do Sul

Campanhas de saúde do homem em Mato Grosso do Sul procuram estimular o autocuidado, a prevenção e a busca por atendimento durante todo o ano. Saiba como acessar os serviços do SUS e quais cuidados merecem atenção.

A saúde do homem em Mato Grosso do Sul é tema de campanhas, seminários e ações de orientação promovidas por órgãos públicos ao longo do ano. O movimento Novembro Azul, realizado tradicionalmente em novembro, concentra parte dessas atividades, mas a proposta das políticas públicas é ampliar o cuidado para além do câncer de próstata.

As iniciativas procuram aproximar a população masculina das unidades de saúde, incentivar o acompanhamento preventivo e orientar sobre doenças crônicas, saúde sexual e reprodutiva, saúde mental, violência, acidentes e hábitos de vida. Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado de Saúde mantém uma área voltada à Saúde do Homem e apoia a organização de ações junto aos municípios.

Em 5 de novembro de 2024, a SES realizou, em Campo Grande, um seminário que reuniu gestores e profissionais dos 79 municípios do estado. O encontro discutiu a saúde masculina na Atenção Primária, o acolhimento dos usuários, a prevenção do câncer de próstata e doenças frequentes, como problemas cardiovasculares e diabetes. (saude.ms.gov.br)

O que é a campanha Novembro Azul

O Novembro Azul é um período de mobilização para estimular a prevenção e o cuidado integral com a saúde masculina. A campanha é frequentemente associada ao câncer de próstata, mas as orientações do Ministério da Saúde incluem outros temas, como saúde mental, infecções sexualmente transmissíveis, hipertensão, diabetes, prevenção de violências e acidentes e adoção de hábitos saudáveis.

A estratégia nacional recomenda que as ações sejam realizadas também fora das unidades tradicionais, em espaços frequentados pelos homens e em ambientes de trabalho, esporte e convivência comunitária. A intenção é reduzir barreiras de acesso e facilitar o vínculo com as equipes de saúde. (gov.br)

Em Mato Grosso do Sul, o Novembro Azul foi incluído no calendário oficial do estado pela Lei nº 4.636, de 24 de dezembro de 2014. A norma prevê atividades anuais de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico do câncer de próstata e de outras doenças que atingem a população masculina. (al.ms.gov.br)

Por que a prevenção deve ocorrer durante todo o ano

A campanha de novembro funciona como um alerta, mas não substitui consultas e acompanhamentos regulares. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, conhecida como PNAISH, busca ampliar o acesso da população masculina aos serviços do Sistema Único de Saúde e reduzir riscos associados a doenças e agravos.

O Ministério da Saúde organiza a política em torno de temas como acesso e acolhimento, saúde sexual e reprodutiva, paternidade e cuidado, doenças prevalentes, prevenção de violências e acidentes. O atendimento deve considerar diferentes fases da vida e as condições sociais e culturais que podem dificultar a procura por assistência.

Na prática, a Unidade Básica de Saúde ou a Unidade de Saúde da Família é a principal porta de entrada para quem precisa iniciar ou retomar o acompanhamento. Nesses locais, o usuário pode buscar avaliação clínica, atualização da vacinação, verificação da pressão arterial, orientação sobre alimentação e atividade física, acompanhamento de doenças crônicas e encaminhamento, quando necessário.

A própria Secretaria de Estado de Saúde disponibiliza uma plataforma de informações sobre a Atenção Primária e a rede de serviços de Mato Grosso do Sul. O sistema apresenta a estrutura da área e informa que o atendimento é organizado nos 79 municípios do estado. (gaps.saude.ms.gov.br)

Como o homem pode procurar atendimento pelo SUS

O primeiro passo é procurar a unidade de saúde mais próxima da residência ou verificar, junto à Secretaria Municipal de Saúde, quais serviços estão disponíveis no município. A organização da agenda, os horários e a oferta de atividades podem variar de uma cidade para outra.

Para uma consulta de rotina, é recomendável levar um documento de identificação e, quando disponível, o cartão do SUS, além de receitas, exames anteriores e informações sobre medicamentos em uso. A unidade pode informar quais documentos são necessários para o atendimento local.

Não é preciso esperar o mês de novembro para procurar ajuda. O usuário pode solicitar uma avaliação mesmo sem participar de uma campanha específica. Durante o atendimento, deve informar sintomas, histórico familiar, hábitos de vida, uso de álcool e tabaco, qualidade do sono, dificuldades sexuais, alterações urinárias e mudanças no humor.

Quem já tem diagnóstico de hipertensão, diabetes, colesterol elevado, doença cardíaca ou outra condição crônica deve manter o acompanhamento definido pela equipe. A interrupção do tratamento ou o uso de medicamentos sem orientação pode aumentar o risco de complicações.

Câncer de próstata: exames devem ser discutidos com profissional

O câncer de próstata é um dos principais assuntos do Novembro Azul. Entretanto, a orientação oficial não é transformar a campanha em uma convocação automática para que todos os homens sem sintomas façam exames de rastreamento.

O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional do câncer de próstata em homens sem sinais ou sintomas. A decisão sobre a realização de exames, como o PSA e o toque retal, deve considerar os riscos e possíveis benefícios para cada pessoa, em conversa individualizada com um profissional de saúde.

Essa orientação é importante porque alterações no PSA ou no exame clínico não confirmam, sozinhas, a existência de câncer. Podem ser necessários outros procedimentos para esclarecer o diagnóstico, e os exames também podem levar à investigação ou ao tratamento de tumores que não evoluiriam de maneira significativa.

Já a presença de sintomas deve motivar a busca por atendimento. Entre os sinais que podem indicar alterações urinárias estão dificuldade para começar ou terminar de urinar, redução do jato, necessidade de urinar várias vezes durante o dia ou à noite e presença de sangue na urina. Esses sintomas também podem estar relacionados a condições benignas, mas precisam ser avaliados.

O Ministério da Saúde orienta que homens conheçam os riscos e benefícios dos exames e conversem com um profissional de confiança antes de tomar uma decisão. Pessoas com histórico familiar de câncer de próstata ou outros fatores de risco devem informar essa condição durante a consulta. (gov.br)

Hábitos que ajudam a proteger a saúde

As ações de saúde do homem também destacam medidas de prevenção que não dependem de uma campanha específica. Manter alimentação equilibrada, praticar atividade física, evitar o tabagismo, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e acompanhar o peso são atitudes relacionadas à prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer.

O Instituto Nacional de Câncer aponta que fatores como sedentarismo, sobrepeso, obesidade, consumo de álcool e tabaco e alimentação inadequada estão associados a riscos que podem ser reduzidos por meio de mudanças de hábitos. O instituto também reúne materiais educativos sobre prevenção, diagnóstico precoce e rastreamento de câncer voltados à população masculina. (gov.br)

As mudanças devem ser compatíveis com a condição de saúde de cada pessoa. Quem está sedentário, tem doença crônica ou apresenta limitações físicas pode pedir orientação à equipe da unidade de saúde antes de iniciar uma rotina de exercícios. A mesma recomendação vale para dietas restritivas e mudanças no uso de medicamentos.

Saúde mental, sexual e reprodutiva também fazem parte do cuidado

A saúde masculina não se limita aos exames físicos. Ansiedade persistente, tristeza intensa, irritabilidade, insônia, isolamento, uso excessivo de álcool ou outras drogas e dificuldade para manter as atividades do dia a dia são sinais que merecem atenção.

O homem pode conversar sobre saúde mental com a equipe da Atenção Primária, que avaliará a necessidade de acompanhamento, orientação ou encaminhamento para outro serviço da rede. Em situações de risco imediato à própria vida ou à de terceiros, a orientação é procurar atendimento de urgência.

Também fazem parte do cuidado a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, o uso de preservativos, o planejamento reprodutivo e o acompanhamento da paternidade. A PNAISH inclui a saúde sexual e reprodutiva entre seus eixos e considera o pré-natal do parceiro uma oportunidade para ampliar o contato dos homens com os serviços de saúde.

O que esperar das campanhas no estado

As programações municipais podem incluir palestras, rodas de conversa, consultas, orientações, atividades educativas e ações em locais de trabalho ou convivência. A oferta depende do planejamento de cada prefeitura e da estrutura disponível na rede local.

Por isso, quem deseja participar deve consultar a Unidade Básica de Saúde, a Unidade de Saúde da Família ou os canais oficiais da Secretaria Municipal de Saúde. A Secretaria de Estado de Saúde coordena e apoia políticas estaduais, mas muitos atendimentos de rotina são organizados pelos municípios.

O principal objetivo das campanhas é incentivar o primeiro contato ou a retomada do acompanhamento. A prevenção não deve ser concentrada em um único mês, e a presença em uma ação do Novembro Azul não substitui a avaliação individual, o tratamento prescrito ou o acompanhamento periódico.

Em caso de sintomas novos, agravamento de uma condição conhecida ou dúvidas sobre exames, o caminho mais seguro é buscar orientação profissional. A campanha pode abrir a porta para o cuidado, mas a continuidade do atendimento é o que permite identificar riscos, tratar doenças e acompanhar a saúde do homem em todas as fases da vida.

Para informações gerais, consulte a página de Saúde do Homem do Ministério da Saúde e os canais oficiais da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul.