A saúde da mulher em Mato Grosso do Sul passou a concentrar uma série de ações voltadas à prevenção, ao diagnóstico precoce e à ampliação do acesso aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). A estratégia envolve desde o atendimento nas unidades básicas até consultas, exames especializados, assistência durante a gestação e encaminhamento para serviços de referência.
Entre as prioridades estão a prevenção dos cânceres de mama e do colo do útero, a saúde sexual e reprodutiva, a redução da mortalidade materna e infantil e o acolhimento de mulheres em situação de violência. A Secretaria de Estado de Saúde articula as ações com os 79 municípios sul-mato-grossenses, enquanto a porta de entrada para a população costuma ser a rede municipal de saúde.
Em 2025, o Estado informou que 73 municípios estavam aptos a inserir serviços de saúde sexual e reprodutiva, acima da meta anual de 60 cidades. A informação consta no Relatório Anual de Gestão de Mato Grosso do Sul.
Onde começar o atendimento
Na maioria dos casos, a mulher deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS), o posto de saúde ou a equipe de Saúde da Família responsável pelo território onde mora. Esses serviços fazem a avaliação inicial, orientam sobre prevenção, vacinação, planejamento reprodutivo e exames, além de encaminhar a paciente quando há necessidade de atendimento especializado.
A unidade pode orientar sobre a disponibilidade de consultas, horários de coleta, campanhas, encaminhamentos e documentos exigidos pelo município. Em geral, é importante levar um documento de identificação e o Cartão Nacional de Saúde, conhecido como Cartão SUS, quando disponível. A exigência de outros documentos pode variar conforme o serviço e a prefeitura.
A Secretaria de Estado de Saúde mantém um Portal de Serviços em Saúde com informações sobre estabelecimentos, medicamentos especializados, resultados de exames, vacinação, Cartão SUS e outros serviços digitais. A busca por uma unidade próxima também pode ser feita pela rede municipal de saúde.
Prevenção do câncer do colo do útero
O cuidado com o colo do útero envolve vacinação contra o HPV, acompanhamento na Atenção Primária e realização do exame de rastreamento conforme a orientação dos profissionais de saúde. O HPV é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da doença, e a vacinação é uma das formas de prevenção.
O exame preventivo é oferecido nas unidades de Atenção Primária. Segundo o Ministério da Saúde, a coleta deve ocorrer em ambiente com privacidade, respeito às escolhas sexuais, afetivas e de gênero e atendimento humanizado. Mulheres que tiveram relações homoafetivas também devem conversar com a equipe sobre a necessidade do rastreamento.
As recomendações de rastreamento podem ser atualizadas conforme novas diretrizes nacionais. Por isso, a mulher deve confirmar na UBS qual exame está disponível no município e qual intervalo é indicado para sua faixa etária e situação clínica. O resultado também precisa ser acompanhado: alterações podem exigir repetição do exame, avaliação complementar ou encaminhamento para um serviço especializado.
A Atenção Primária tem papel importante na identificação de mulheres com exames atrasados, na busca ativa e no encaminhamento para investigação. O Telessaúde Mato Grosso do Sul destaca que a rede básica participa da vacinação, do rastreamento, da identificação de alterações e do encaminhamento oportuno.
Prevenção e diagnóstico do câncer de mama
O câncer de mama também está entre as prioridades da política de saúde da mulher no Estado. A mamografia pode ser solicitada pela rede pública tanto para rastreamento, conforme a faixa etária e as diretrizes do SUS, quanto para investigação de sinais ou sintomas suspeitos.
As orientações atuais do Ministério da Saúde indicam o rastreamento populacional para mulheres de 50 a 74 anos, em geral a cada dois anos. Mulheres fora dessa faixa também podem precisar do exame, especialmente quando apresentam sintomas, histórico familiar ou outros fatores de risco. Nesses casos, a decisão deve ser feita com orientação de um profissional de saúde.
Nódulo endurecido, saída de secreção com sangue pelo mamilo, retração da pele, mudança no formato da mama ou alteração persistente devem ser avaliados. A presença de um desses sinais não significa necessariamente câncer, mas é motivo para procurar a unidade de saúde e não esperar uma campanha específica.
Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado de Saúde publicou um boletim epidemiológico sobre o câncer de mama para orientar o planejamento da prevenção, do diagnóstico e do cuidado na rede estadual.
Carreta da Saúde da Mulher e atendimento regionalizado
Em outubro de 2025, Mato Grosso do Sul recebeu a Carreta da Saúde da Mulher, iniciativa do Ministério da Saúde em parceria com o Governo do Estado. A unidade móvel ofereceu consultas e exames voltados à prevenção e ao diagnóstico precoce dos cânceres de mama e do colo do útero.
O atendimento foi organizado com agendamento prévio pela rede municipal, priorizando mulheres encaminhadas pelas unidades de Atenção Primária. A estratégia reforça que ações itinerantes não substituem a porta de entrada do SUS: o acesso costuma depender da avaliação e do encaminhamento realizados no município.
Como campanhas e unidades móveis podem ter períodos, locais e critérios próprios, a orientação é procurar a Secretaria Municipal de Saúde, a UBS ou a equipe de Saúde da Família para verificar se há programação vigente na cidade.
Gestação, parto e pós-parto
O acompanhamento da gestação deve começar assim que a gravidez for confirmada ou houver suspeita. O pré-natal permite acompanhar a saúde da gestante e do bebê, solicitar exames, atualizar vacinas, identificar fatores de risco e orientar sobre parto, amamentação e cuidados no pós-parto.
A rede estadual também trabalha com ações de qualificação da atenção materno-infantil. Em 2026, a Secretaria de Estado de Saúde informou a elaboração, com os municípios, de um plano regional relacionado à Rede Alyne, com propostas para ampliar serviços especializados, o acesso ao ultrassom obstétrico e o cuidado neonatal, especialmente para recém-nascidos prematuros e de baixo peso.
Para iniciar o pré-natal, a gestante deve procurar a UBS do município. Se houver risco aumentado ou necessidade de atendimento especializado, a própria rede orientará o encaminhamento. A caderneta da gestante, os resultados de exames anteriores e informações sobre medicamentos em uso ajudam a equipe a organizar o cuidado.
Após o parto, o acompanhamento deve continuar. A consulta de revisão, o apoio à amamentação, o planejamento reprodutivo, a avaliação da saúde mental e a identificação de sinais de alerta fazem parte do cuidado com a mulher no puerpério.
Saúde sexual e reprodutiva
A Atenção Primária também oferece orientações sobre métodos contraceptivos, preservativos, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e planejamento da gravidez. A escolha do método deve considerar as condições de saúde, os desejos da mulher e a avaliação da equipe.
O Estado informou avanços na organização dos serviços de saúde sexual e reprodutiva, com a ampliação do número de municípios aptos a ofertar métodos contraceptivos de longa duração. A disponibilidade, porém, pode variar conforme a estrutura e o fluxo de cada município. Por isso, a UBS é o canal mais adequado para confirmar quais métodos estão disponíveis e como funciona o encaminhamento.
O atendimento deve respeitar a autonomia, a privacidade e o direito à informação. Mulheres adolescentes, pessoas com deficiência, mulheres negras, indígenas, idosas e integrantes da população LGBTQIAPN+ também devem receber atendimento sem discriminação e de acordo com suas necessidades.
Atendimento em situação de violência
Mulheres vítimas de violência física, sexual, psicológica, moral ou patrimonial podem procurar a rede de saúde mesmo quando ainda não registraram boletim de ocorrência. Em casos de violência sexual, o SUS oferece atendimento emergencial e integral, com medidas de prevenção, cuidados de saúde e apoio conforme a avaliação profissional.
A Secretaria de Estado de Saúde orienta que o atendimento não depende de denúncia prévia. A procura rápida é importante porque algumas medidas têm maior eficácia quando realizadas logo após a violência. A mulher pode buscar uma unidade de saúde, um pronto atendimento ou um hospital de referência.
Para orientações sobre a rede de proteção e enfrentamento à violência, o Ligue 180 oferece atendimento gratuito. Em Mato Grosso do Sul, o Programa Mulher Segura, da Polícia Militar, também atua no acompanhamento e na proteção de mulheres com medidas protetivas ou em situação de violência. Informações sobre o programa estão disponíveis no site da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul.
Em uma situação de risco imediato, a orientação é buscar um local seguro e acionar o serviço de emergência da região. A mulher não precisa enfrentar o problema sozinha: profissionais de saúde podem acolher, registrar a situação conforme os protocolos e fazer os encaminhamentos necessários para a rede de proteção.
Como se preparar para buscar atendimento
- Procure a UBS de referência do seu endereço ou a Secretaria Municipal de Saúde.
- Leve documento de identificação, Cartão SUS e exames anteriores, quando tiver.
- Informe medicamentos em uso, alergias, doenças anteriores e histórico familiar relevante.
- Pergunte como será feito o agendamento, o prazo para o resultado e onde buscar o encaminhamento.
- Não deixe de retornar à unidade para avaliar resultados alterados ou exames pendentes.
- Em caso de violência, priorize a segurança e procure atendimento mesmo sem boletim de ocorrência.
A ampliação da saúde da mulher em Mato Grosso do Sul depende da integração entre municípios, Estado e serviços especializados. Para a população, o caminho mais seguro é utilizar a Atenção Primária como porta de entrada, manter os exames preventivos em dia e buscar atendimento sempre que surgir um sintoma novo ou persistente.
As informações sobre horários, documentos, unidades de referência e disponibilidade de exames podem mudar conforme o município. Antes de se deslocar, confirme o procedimento com a Secretaria Municipal de Saúde ou com a unidade responsável pelo atendimento.








