Nova Andradina ocupa posição de destaque no leste de Mato Grosso do Sul por reunir uma trajetória histórica marcada pela colonização, uma economia ligada ao campo e uma localização que favorece as relações com outras regiões do Estado e com os estados de São Paulo e Paraná. Conhecida como a Capital do Vale do Ivinhema e também associada à atividade pecuária, a cidade se consolidou como referência regional em comércio, serviços, indústria e produção agropecuária.
O município tem 48.563 habitantes, conforme o Censo Demográfico de 2022, e área territorial de 4.768,118 quilômetros quadrados, segundo dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população estimada pelo instituto para 2026 é de 51.081 pessoas. Esses números ajudam a dimensionar o papel de Nova Andradina em uma região de baixa densidade populacional e grandes extensões rurais.
Origem ligada à colonização do Vale do Ivinhema
A formação de Nova Andradina está relacionada ao processo de ocupação e colonização das terras localizadas no sudeste do antigo Mato Grosso, antes da divisão que criou Mato Grosso do Sul. O paulista Antônio Joaquim de Moura Andrade, pecuarista e colonizador, iniciou seus trabalhos na região no fim da década de 1930.
Segundo o histórico publicado pelo IBGE, Moura Andrade adquiriu inicialmente a Fazenda Caapora, posteriormente chamada Fazenda Primavera, localizada nas proximidades da baía do rio Samambaia, no vale do rio Paraná. A área era considerada estratégica para a expansão da ocupação regional, e o colonizador também se envolveu na construção de um porto fluvial às margens do rio Paraná.
Com o passar dos anos, Moura Andrade ampliou suas propriedades e adquiriu fazendas como Santa Bárbara, Xavante, Panambi e Baile. Esta última, comprada em 1951, teve papel importante na origem do núcleo urbano que mais tarde daria lugar a Nova Andradina.
No segundo semestre de 1957, uma gleba da Fazenda Baile foi destinada à implantação dos primeiros alicerces da cidade. A área foi dividida em lotes e passou a receber moradores atraídos pelas condições oferecidas para a aquisição de terras. O processo estimulou a chegada de famílias de diferentes partes do país, especialmente do Nordeste, de São Paulo, do Paraná e de Minas Gerais.
Educação, comércio e vida comunitária
O crescimento inicial foi acompanhado pela criação das primeiras estruturas comunitárias. Ainda em 1957, uma escola foi instalada em um barracão utilizado pela Empresa Andrade, responsável pela abertura das ruas da nova comunidade. Entre as primeiras professoras estavam Efantina Quadros, conhecida como Dona Lalá, Katsuko Fujibayashi, Mariko Fujibayashi e Cecília Holanda.
No ano seguinte, foi construído um prédio de alvenaria para abrigar o Grupo Escolar Moura Andrade. A criação da escola representou uma das primeiras iniciativas de organização da vida urbana e acompanhou a chegada de novos moradores ao povoado.
A comunidade também passou a contar com atividades religiosas e comerciais. A primeira missa foi celebrada na capela do Imaculado Coração de Maria, enquanto o primeiro estabelecimento comercial foi instalado por Kokey Itaya. Esses registros mostram como a formação da cidade ocorreu a partir da combinação entre loteamento, migração, serviços básicos e relações de vizinhança.
O nome Nova Andradina faz referência ao fundador da cidade. O termo “Nova” foi acrescentado para diferenciar o município sul-mato-grossense de Andradina, no interior paulista, também associado à atuação de Moura Andrade.
Emancipação e formação administrativa
Nova Andradina foi elevada à categoria de município pela Lei Estadual nº 1.189, de 20 de dezembro de 1958, quando se desmembrou de Bataguassu. A criação administrativa marcou uma nova etapa na organização política e territorial da localidade.
Na formação inicial, o município era composto por Nova Andradina e Bataiporã. Em 1963, Bataiporã foi desmembrada e elevada à condição de município. Décadas depois, em 2000, foi criado o distrito de Nova Casa Verde, que passou a integrar o território de Nova Andradina.
A divisão administrativa acompanhou o avanço da ocupação regional e a criação de novos núcleos urbanos. Ao longo do tempo, Nova Andradina deixou de ser apenas uma área de colonização voltada à formação de propriedades rurais e passou a desempenhar funções mais amplas de atendimento à população do entorno.
Localização favorece influência regional
A posição geográfica é um dos principais fatores que explicam a importância de Nova Andradina. O município está situado no leste de Mato Grosso do Sul, na região do Vale do Ivinhema, próximo à divisa com São Paulo e Paraná. Essa proximidade facilita a circulação de pessoas, mercadorias e serviços entre os três estados.
Estudo de caracterização territorial elaborado pelo governo de Mato Grosso do Sul aponta que a cidade está a cerca de 65 quilômetros da divisa com São Paulo e Paraná, por meio da região da Usina Hidrelétrica Sérgio Motta, também conhecida como Usina Porto Primavera. A conexão rodoviária amplia a área de influência do município e contribui para a integração com centros urbanos de estados vizinhos.
Essa localização também ajuda a explicar o papel de Nova Andradina como centro de comércio e serviços. Moradores de cidades próximas recorrem ao município em busca de atendimento em áreas como educação, saúde, comércio, serviços públicos, instituições financeiras e atividades empresariais.
Da pecuária à diversificação econômica
A economia de Nova Andradina tem raízes na pecuária e na ocupação das grandes propriedades rurais. A criação e o abate de bovinos ganharam importância ao longo da história municipal e contribuíram para a associação da cidade ao título de Capital do Boi.
O material histórico do IBGE também identifica Nova Andradina como a Capital do Vale do Ivinhema e destaca sua localização na confluência de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. A atividade pecuária permanece entre os elementos que definem a identidade econômica do município, mas deixou de ser a única base de sua estrutura produtiva.
Dados reunidos pelo Sebrae indicam que o comércio e a indústria são setores relevantes para a economia local. O comércio atende tanto a população da cidade quanto consumidores de municípios vizinhos. Já a indústria mantém vínculos com a produção agropecuária, especialmente por meio de unidades de processamento e abate de bovinos, mas também inclui outros segmentos de manufatura.
A combinação entre agropecuária, comércio e indústria cria uma economia com diferentes níveis de atividade. O campo fornece matéria-prima e movimenta cadeias de transporte, armazenamento e serviços. O comércio amplia a oferta de produtos e atendimento. A indústria agrega valor à produção e contribui para a geração de empregos e renda.
Infraestrutura e serviços ampliam o papel da cidade
O crescimento populacional e econômico aumentou a demanda por infraestrutura urbana, educação, saúde e qualificação profissional. A presença de instituições de ensino superior e técnico também fortalece a função regional de Nova Andradina, ao oferecer formação para moradores do município e de cidades próximas.
O município abriga unidades da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, além de estruturas de formação profissional. A existência dessas instituições contribui para a circulação de estudantes, professores e trabalhadores e amplia o debate sobre inovação, empreendedorismo e desenvolvimento regional.
Em 2025, uma iniciativa de planejamento municipal divulgada pela Agência Sebrae de Notícias reuniu representantes do poder público, instituições de ensino, setor produtivo e entidades de apoio ao empreendedorismo. A proposta foi apresentada como instrumento para consolidar Nova Andradina como polo regional e estimular o desenvolvimento econômico.
O movimento demonstra que a cidade busca combinar a vocação agropecuária tradicional com novas atividades econômicas. O desafio é transformar a posição geográfica e a estrutura produtiva em oportunidades permanentes de emprego, qualificação, inovação e melhoria dos serviços oferecidos à população.
Identidade histórica preservada
A memória de Nova Andradina está ligada aos pioneiros, aos trabalhadores que abriram ruas, às famílias migrantes e às primeiras instituições criadas no processo de formação urbana. A história do município também é preservada por espaços e iniciativas culturais que registram a colonização e as transformações ocorridas desde a década de 1950.
O Museu Histórico e Cultural Antônio Joaquim de Moura Andrade é uma das referências desse processo de preservação. O espaço ocupa o antigo prédio do fórum e reúne elementos relacionados à trajetória política, social e econômica da cidade.
A memória local ajuda a compreender que o destaque atual de Nova Andradina não surgiu apenas do crescimento recente. Ele é resultado de um processo iniciado com a abertura de propriedades, a chegada de migrantes, a organização do povoado e a emancipação administrativa. Ao longo das décadas, a cidade incorporou novas funções sem abandonar a relação com a produção rural.
Uma referência no leste de Mato Grosso do Sul
Nova Andradina ganhou relevância no leste de Mato Grosso do Sul pela combinação de fatores históricos e geográficos. A cidade nasceu de um projeto de colonização, cresceu com a migração e estruturou sua economia a partir da pecuária. Depois, ampliou sua atuação com o comércio, a indústria, os serviços e a educação.
Hoje, a cidade funciona como ponto de articulação entre municípios do Vale do Ivinhema e áreas próximas de São Paulo e do Paraná. Sua importância regional está relacionada tanto ao tamanho da população quanto à capacidade de concentrar atividades econômicas, serviços públicos e instituições que atendem a uma área mais ampla.
A trajetória de Nova Andradina mostra como municípios do interior podem assumir funções estratégicas quando conseguem combinar localização, infraestrutura, produção e organização urbana. No caso nova-andradinense, a história da colonização permanece presente, mas convive com uma economia em transformação e com a busca por novas formas de desenvolvimento.
Fontes: IBGE Cidades e Estados, histórico municipal do IBGE, Estudo Socioambiental do Governo de Mato Grosso do Sul e Agência Sebrae de Notícias.








