domingo, 25 de outubro de 2026
SAÚDE

Como prevenir problemas respiratórios durante o tempo seco em Mato Grosso do Sul

O tempo seco pode ressecar as mucosas, aumentar a presença de poeira e poluentes no ar e agravar quadros como rinite, sinusite e asma. Saiba como proteger a saúde respiratória durante a estiagem em Mato Grosso do Sul.

O tempo seco exige cuidados redobrados com a saúde respiratória, especialmente durante os períodos de estiagem em Mato Grosso do Sul. A baixa umidade do ar resseca as mucosas do nariz, da garganta e das vias respiratórias, enquanto poeira, poluição e fumaça podem permanecer mais tempo suspensas no ambiente.

Esse conjunto de fatores pode provocar tosse, irritação na garganta, nariz entupido, coriza, ardência nos olhos e sangramento nasal. Também pode agravar sintomas de rinite, sinusite, bronquite e asma. Crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas estão entre os grupos que precisam de maior atenção. (bvsms.saude.gov.br)

Por que o tempo seco afeta a respiração?

As vias respiratórias possuem uma camada de proteção formada por mucosas, que ajudam a filtrar partículas e microrganismos presentes no ar. Quando a umidade está muito baixa, essa camada tende a ficar ressecada e mais irritada. Como consequência, a garganta pode arder, a tosse pode se tornar mais frequente e o nariz fica mais suscetível a ferimentos e sangramentos.

A baixa umidade também favorece a suspensão de poeira, pólen e outros agentes irritantes. Em pessoas alérgicas, isso pode aumentar a ocorrência de espirros, coriza, congestão nasal e crises de falta de ar. A fumaça de queimadas agrava ainda mais a qualidade do ar e pode intensificar os sintomas respiratórios. (saude.ms.gov.br)

1. Beba água ao longo do dia

A hidratação é uma das principais medidas para reduzir os efeitos do ar seco. O ideal é beber água regularmente, sem esperar o surgimento da sede. Crianças e idosos podem precisar de acompanhamento de familiares ou responsáveis para manter uma ingestão adequada de líquidos.

Água deve ser a principal fonte de hidratação. Sucos naturais e água de coco também podem fazer parte da rotina, desde que não substituam completamente a água. Pessoas com restrição de líquidos por orientação médica, como alguns pacientes com doenças cardíacas ou renais, devem seguir a recomendação do profissional que acompanha o caso.

Além de ajudar no funcionamento do organismo, a hidratação contribui para reduzir o ressecamento das mucosas. Manter uma garrafa de água por perto pode facilitar o consumo durante o trabalho, os estudos e os deslocamentos. (bvsms.saude.gov.br)

2. Faça higiene nasal com solução salina

O uso de soro fisiológico pode ajudar a umedecer as narinas e remover parte da poeira acumulada. A solução pode ser encontrada em diferentes apresentações, como gotas, spray e jato contínuo. Em crianças pequenas, é importante escolher o produto e a forma de aplicação de acordo com a idade e, quando houver dúvida, buscar orientação de um profissional de saúde.

A higiene nasal não substitui o tratamento de doenças como rinite, sinusite ou asma. Quem já utiliza medicamentos prescritos deve manter o acompanhamento e não interromper o tratamento por conta própria. Também não é recomendado aplicar substâncias caseiras ou medicamentos descongestionantes sem orientação.

Em caso de lavagem nasal com maior volume, devem ser observadas as orientações do produto e os cuidados de higiene indicados pelo fabricante ou pelo profissional de saúde. (bvsms.saude.gov.br)

3. Evite fumaça, queimadas e poeira

A fumaça de queimadas contém partículas que irritam as vias respiratórias e podem agravar crises de asma, bronquite e outras doenças pulmonares. Durante episódios de fumaça intensa, evite permanecer ao ar livre por longos períodos e mantenha portas e janelas fechadas quando o ar externo estiver muito poluído.

Também é importante não queimar folhas, lixo ou outros materiais. A fumaça produzida dentro ou perto de casa pode afetar moradores, vizinhos e pessoas que já apresentam maior sensibilidade respiratória.

Quando for necessário sair em ambientes com poeira, fumaça ou grande concentração de pessoas, uma máscara bem ajustada pode reduzir a inalação de partículas. A proteção, porém, não elimina os riscos e não deve ser usada como justificativa para permanecer em locais com poluição intensa.

A qualidade do ar e os alertas meteorológicos podem ser acompanhados nos canais oficiais, como o Instituto Nacional de Meteorologia. (hospitalregional.ms.gov.br)

4. Reduza a exposição ao sol e ao ar seco

O período mais quente do dia costuma concentrar condições mais desconfortáveis de temperatura e umidade. Por isso, sempre que possível, evite exercícios físicos intensos e atividades prolongadas ao ar livre nas horas de maior calor, especialmente quando houver alerta de baixa umidade.

Quem pratica caminhada, corrida ou outro exercício deve preferir horários de menor exposição ao sol, observar os avisos meteorológicos e interromper a atividade diante de falta de ar, tontura, fraqueza, dor no peito ou mal-estar.

Em dias muito secos, o esforço físico pode aumentar a perda de líquidos e intensificar a irritação das vias respiratórias. Pessoas com asma ou outras doenças pulmonares devem seguir o plano de tratamento e as orientações do médico antes de alterar sua rotina de exercícios. (bvsms.saude.gov.br)

5. Mantenha a casa limpa e ventilada

A limpeza dos ambientes ajuda a reduzir a quantidade de poeira, ácaros e pelos que podem desencadear sintomas alérgicos. Dê preferência a pano úmido para retirar a poeira, em vez de varrer a seco, prática que pode espalhar partículas pelo ar.

Roupas de cama, cobertores e agasalhos guardados por muito tempo devem ser lavados ou expostos ao sol antes do uso, quando possível. Também é importante evitar o acúmulo de objetos, tapetes e cortinas que concentrem poeira, principalmente nos quartos de pessoas alérgicas.

A ventilação deve ser equilibrada. Em momentos de fumaça intensa ou poluição externa, manter as janelas abertas pode piorar a qualidade do ar dentro da residência. Fora dessas situações, a circulação de ar ajuda a reduzir o acúmulo de odores, partículas e alérgenos.

6. Use umidificadores com cuidado

Umidificadores podem aliviar o desconforto causado pelo ar seco, mas precisam ser usados corretamente. O aparelho deve ser higienizado conforme as instruções do fabricante e não deve permanecer ligado continuamente sem necessidade.

O excesso de umidade pode favorecer mofo, fungos e ácaros, que também prejudicam pessoas alérgicas e pacientes com asma. Por isso, o uso do equipamento deve evitar a formação de condensação em paredes, móveis e janelas.

Quando não houver umidificador, algumas pessoas utilizam recipientes com água ou toalhas úmidas para amenizar o ressecamento. Essas medidas não substituem a ventilação adequada nem autorizam deixar o ambiente úmido a ponto de favorecer mofo. (hospitalregional.ms.gov.br)

7. Proteja crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas

Crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas imunossuprimidas e pacientes com asma, bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica ou outras condições respiratórias podem apresentar maior risco de agravamento durante períodos de baixa umidade e poluição.

Nesses grupos, é importante observar se há aumento da tosse, chiado no peito, cansaço, respiração acelerada ou dificuldade para realizar atividades habituais. Medicamentos de uso contínuo devem ser administrados conforme a prescrição, sem aumento ou redução da dose por decisão própria.

Familiares e cuidadores também devem incentivar o consumo de água, reduzir a exposição à fumaça e verificar se os ambientes permanecem livres de poeira e mofo.

8. Mantenha a vacinação em dia

A vacinação é uma medida importante para reduzir o risco de doenças respiratórias preveníveis, de acordo com o calendário e as recomendações dos serviços de saúde. A proteção deve ser verificada especialmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com condições crônicas.

A vacina não impede todos os quadros de tosse, rinite ou irritação provocados pelo tempo seco, mas faz parte da prevenção de infecções respiratórias específicas. A situação vacinal pode ser conferida em uma unidade de saúde ou nos canais oficiais do Sistema Único de Saúde.

Quando procurar atendimento médico?

O atendimento deve ser procurado diante de falta de ar, respiração difícil, chiado intenso, dor no peito, lábios arroxeados, confusão mental, febre persistente ou piora rápida dos sintomas. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias devem ser avaliados com atenção especial.

Tosse que persiste, crises repetidas, sangramento nasal frequente ou sintomas que impedem o sono e as atividades do dia a dia também merecem avaliação profissional. Em situações de emergência, a orientação é buscar imediatamente um serviço de urgência.

O tempo seco pode aumentar o desconforto respiratório, mas não é a única causa possível de tosse, falta de ar ou febre. Por isso, não é seguro atribuir todos os sintomas ao clima ou iniciar antibióticos, corticoides e outros medicamentos sem prescrição.

Checklist para os dias de baixa umidade

  • Beba água em intervalos regulares ao longo do dia.
  • Use solução salina para aliviar o ressecamento nasal, seguindo as orientações do produto.
  • Evite fumaça de queimadas, cigarro, poeira e ambientes muito poluídos.
  • Prefira horários de menor calor para atividades físicas.
  • Limpe a casa com pano úmido e reduza o acúmulo de poeira.
  • Use umidificadores com moderação e mantenha o aparelho higienizado.
  • Acompanhe alertas de baixa umidade e qualidade do ar.
  • Observe com atenção crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
  • Procure atendimento diante de falta de ar ou piora importante dos sintomas.

Com medidas simples e atenção aos sinais de alerta, é possível reduzir os efeitos do tempo seco e proteger a saúde respiratória durante a estiagem em Mato Grosso do Sul. As recomendações devem ser adaptadas às condições de cada pessoa e não substituem a avaliação de um profissional de saúde.