sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Alimentação saudável em Mato Grosso do Sul: cuidados práticos para o dia a dia

Cuidados com a alimentação ganham espaço em Mato Grosso do Sul. Veja como organizar refeições, reduzir ultraprocessados, higienizar alimentos e buscar orientação na rede de saúde.

Os cuidados com a alimentação ganham importância em Mato Grosso do Sul à medida que famílias buscam prevenir doenças, melhorar a qualidade de vida e organizar refeições mais equilibradas. A orientação oficial do Ministério da Saúde é que a alimentação tenha como base alimentos in natura ou minimamente processados, respeite a cultura alimentar e seja adequada às necessidades de cada pessoa.

Na prática, isso significa valorizar alimentos como arroz, feijão, frutas, verduras, legumes, ovos, carnes, leite e outros itens preparados em casa, além de reduzir o consumo de produtos ultraprocessados. Também é necessário observar a higiene durante a compra, o armazenamento e o preparo dos alimentos para diminuir o risco de contaminações.

O Guia Alimentar para a População Brasileira é uma das principais referências oficiais sobre o tema. A publicação orienta escolhas, combinações, preparo e consumo de alimentos, sem transformar a alimentação saudável em uma lista rígida de proibições. (gov.br)

O que caracteriza uma alimentação saudável

Uma alimentação adequada e saudável deve ser variada, equilibrada, acessível e compatível com a realidade cultural e financeira de cada família. O objetivo não é seguir dietas da moda, cortar grupos alimentares sem orientação ou buscar resultados rápidos, mas construir hábitos possíveis de manter ao longo do tempo.

O Guia Alimentar recomenda que alimentos in natura ou minimamente processados formem a base das refeições. São exemplos as frutas, hortaliças, raízes, tubérculos, arroz, feijão, milho, ovos, carnes frescas, leite e castanhas. Os alimentos minimamente processados passam por etapas como limpeza, secagem, moagem, fermentação, refrigeração ou congelamento, sem receber a inclusão de sal, açúcar, óleos ou outras substâncias ao alimento original.

Ingredientes culinários, como óleo, sal e açúcar, podem ser utilizados em pequenas quantidades no preparo. Já os alimentos processados, como alguns enlatados, queijos e conservas, devem aparecer de forma limitada. A recomendação é evitar os ultraprocessados, que costumam ter muitos ingredientes, aditivos e combinações desenvolvidas para aumentar o sabor, a praticidade e a durabilidade do produto. (gov.br)

Como reduzir o consumo de ultraprocessados

Refrigerantes, bebidas adoçadas, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, embutidos, doces industrializados, refeições prontas e alguns produtos congelados são exemplos de ultraprocessados. O consumo ocasional não deve ser tratado como motivo para culpa, mas a presença frequente desses itens pode substituir refeições preparadas com alimentos mais nutritivos.

Uma maneira simples de fazer mudanças é observar o que costuma estar disponível em casa. Frutas lavadas e armazenadas adequadamente podem substituir biscoitos em alguns lanches. Arroz e feijão acompanhados de legumes ou verduras podem ocupar o lugar de refeições prontas. Água, leite e frutas são alternativas ao consumo habitual de refrigerantes, sucos artificiais e bebidas adoçadas.

Outra medida é conferir a lista de ingredientes dos produtos embalados. Listas extensas, com substâncias pouco conhecidas e ingredientes que não costumam ser usados em preparações domésticas, podem indicar um produto ultraprocessado. A embalagem também deve ser observada quanto à validade, integridade, conservação e informações nutricionais.

Em Mato Grosso do Sul, uma publicação do Ministério da Saúde destacou os efeitos sociais, ambientais e relacionados à saúde do consumo de ultraprocessados e apresentou dados do Vigitel sobre o consumo desses produtos entre adultos de Campo Grande. O levantamento citado na publicação se refere a entrevistas realizadas anteriormente e não substitui uma avaliação individual de saúde. (gov.br)

Planejamento facilita escolhas melhores

A falta de tempo é um dos obstáculos mais comuns para manter uma alimentação equilibrada. O planejamento semanal pode ajudar a diminuir a dependência de produtos prontos e evitar compras feitas apenas por impulso.

  • Organize, sempre que possível, as principais refeições da semana.
  • Faça uma lista de compras baseada no que será preparado.
  • Prefira frutas, verduras e legumes da época e que estejam em boas condições.
  • Deixe feijão, arroz, legumes ou outras preparações porcionados quando isso facilitar a rotina.
  • Tenha opções simples para lanches, como frutas, milho, castanhas ou preparações caseiras.
  • Evite fazer compras com fome e confira a validade dos alimentos antes de colocá-los no carrinho.

O planejamento também permite aproveitar melhor os alimentos e reduzir desperdícios. Cascas, talos e sementes só devem ser utilizados quando forem próprios para consumo, estiverem bem higienizados e fizerem parte de uma preparação segura. Pessoas com alergias, intolerâncias, doenças crônicas ou necessidades específicas devem receber orientação individualizada.

Higiene começa antes do preparo

A alimentação saudável também depende da segurança dos alimentos. A contaminação pode ocorrer pelas mãos, utensílios, superfícies, água, embalagens ou pelo contato entre alimentos crus e preparados. Por isso, a limpeza deve fazer parte de todas as etapas, desde a compra até o momento de servir.

Antes de preparar uma refeição, lave as mãos com água e sabão. Repita o procedimento depois de manusear carnes cruas, ovos, lixo, animais ou objetos sujos, e também após usar o banheiro. Bancadas, facas, tábuas e outros utensílios devem ser higienizados de maneira adequada.

Alimentos crus, especialmente carnes, frango e pescado, devem ser mantidos separados dos alimentos prontos para o consumo. Use utensílios limpos para manipular a comida já cozida e evite colocar alimentos preparados em recipientes que tiveram contato com produtos crus sem higienização.

O cozimento completo é outra medida importante. Segundo orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, todas as partes do alimento devem atingir temperatura suficiente para reduzir microrganismos perigosos. A Anvisa cita como referência o cozimento a pelo menos 70°C, com atenção especial para carnes, aves e alimentos preparados com carne moída. (gov.br)

Como higienizar frutas, verduras e legumes

Frutas, verduras e legumes devem ser selecionados antes do consumo. Descarte partes deterioradas e retire sujeiras visíveis em água corrente. Quando a preparação for consumida crua, é necessário seguir as orientações do rótulo de um produto sanitizante regularizado e indicado para alimentos.

A Anvisa orienta que a higienização seja feita com produto apropriado, na concentração e pelo tempo indicados pelo fabricante. Depois da etapa de sanitização, o alimento deve ser enxaguado quando essa orientação constar no rótulo. Produtos de limpeza que não tenham indicação para uso em alimentos não devem ser aplicados nas frutas e hortaliças.

A água utilizada no preparo deve ser própria para consumo. Também é importante manter a geladeira limpa, guardar alimentos crus e cozidos em recipientes fechados e respeitar as instruções de conservação presentes nas embalagens.

Armazenamento exige atenção

Depois do preparo, os alimentos devem ser protegidos de novas contaminações. Recipientes fechados ajudam a evitar o contato com insetos, poeira e outros agentes. Preparações que precisam de refrigeração não devem permanecer por longos períodos em temperatura ambiente.

Ao guardar sobras, espere apenas o tempo necessário para que deixem de liberar vapor intenso e leve-as à geladeira em recipientes limpos e fechados. A Anvisa recomenda atenção ao tempo e à temperatura de conservação e informa que alimentos preparados e mantidos sob refrigeração devem ser consumidos dentro do prazo indicado para garantir a segurança sanitária. (gov.br)

Também é importante não descongelar carnes e outros alimentos perecíveis sobre a pia. O descongelamento deve seguir as instruções da embalagem, preferencialmente sob refrigeração ou conforme o método seguro informado pelo fabricante. Alimentos com cheiro, aparência ou textura alterados devem ser descartados.

Cuidados por faixa etária

Crianças pequenas, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas podem ter necessidades alimentares específicas. Para crianças menores de dois anos, o Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, quando possível, e a introdução de alimentos in natura ou minimamente processados a partir dessa idade, conforme orientação profissional.

Na infância, é importante evitar bebidas açucaradas, produtos ultraprocessados e preparações com açúcar, especialmente para menores de dois anos. A criança deve ser apresentada a diferentes alimentos saudáveis e estimulada a reconhecer sinais de fome e saciedade, sem pressão ou distrações que prejudiquem a relação com a comida. (gov.br)

Para idosos, a alimentação deve considerar mudanças no apetite, na mastigação, na digestão e nas condições de saúde. Refeições variadas, boa hidratação e preparações adequadas à capacidade de mastigar e engolir podem facilitar o consumo. Em qualquer idade, restrições alimentares devem ser avaliadas por profissionais habilitados.

Quando buscar atendimento de saúde

Pessoas com diabetes, hipertensão, colesterol elevado, doença renal, obesidade, baixo peso, alergias, intolerâncias ou histórico de transtornos alimentares devem procurar orientação na rede de saúde. A Unidade Básica de Saúde pode ser uma porta de entrada para avaliação, acompanhamento e encaminhamento conforme a necessidade.

O portal Nutrição Saúde MS reúne materiais educativos e informações sobre ações de alimentação e nutrição desenvolvidas no estado. O conteúdo inclui referências sobre alimentação saudável, acompanhamento nutricional, infância e promoção da saúde.

O atendimento individual é especialmente importante quando há perda ou ganho de peso sem explicação, dificuldade persistente para se alimentar, sintomas após o consumo de determinados produtos ou necessidade de uma dieta terapêutica. Informações encontradas nas redes sociais não devem substituir avaliação clínica.

Regra prática para começar

Uma mudança gradual pode ser mais sustentável do que uma transformação radical. Comece escolhendo uma refeição do dia para incluir mais alimentos in natura ou minimamente processados. Em seguida, reduza bebidas açucaradas, organize os lanches, melhore a higiene no preparo e observe como o corpo reage às mudanças.

O cuidado com a alimentação não depende de produtos caros nem de receitas complexas. Ele envolve variedade, moderação, atenção ao preparo, respeito às necessidades individuais e acesso a informações confiáveis. Para os moradores de Mato Grosso do Sul, os materiais do Ministério da Saúde e da área estadual de Nutrição podem apoiar escolhas mais seguras no dia a dia.