Mato Grosso do Sul é conhecido principalmente pelo Pantanal, por Bonito e pelas paisagens de rios cristalinos. Mas o estado também reúne uma história recente, forte presença indígena, influências culturais do Paraguai e da Bolívia e manifestações que ajudam a explicar a identidade sul-mato-grossense.
Para quem deseja conhecer melhor a região, algumas curiosidades sobre Mato Grosso do Sul ajudam a entender como natureza, fronteira, migração e cultura se misturam no território. A seguir, veja fatos importantes sobre o estado e saiba onde essas características aparecem no dia a dia.
1. Mato Grosso do Sul foi criado em 1977
Uma das principais curiosidades sobre Mato Grosso do Sul está na própria origem do estado. A unidade federativa foi criada pela Lei Complementar nº 31, assinada em 11 de outubro de 1977, a partir do desmembramento de uma área do antigo estado de Mato Grosso.
A instalação administrativa ocorreu em 1º de janeiro de 1979. Por isso, o estado é relativamente novo quando comparado a outras unidades da Federação, embora sua ocupação, seus povos originários e sua história regional sejam muito anteriores à criação política.
A divisão contribuiu para organizar uma administração própria para a porção sul do antigo Mato Grosso. Campo Grande foi escolhida como capital e passou a concentrar órgãos públicos, serviços, atividades econômicas e instituições culturais.
2. O estado faz fronteira com dois países
Mato Grosso do Sul está localizado na região Centro-Oeste e faz fronteira internacional com o Paraguai e a Bolívia. Dentro do território brasileiro, limita-se com Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
Essa posição geográfica ajuda a explicar a presença de costumes compartilhados entre os moradores dos dois lados da fronteira. A circulação de pessoas, mercadorias e tradições contribuiu para a formação de uma cultura marcada pelo contato com diferentes povos e regiões.
As cidades fronteiriças também têm importância histórica e econômica. Corumbá, por exemplo, está próxima da Bolívia e ocupa uma posição estratégica às margens do rio Paraguai. Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, forma uma área urbana integrada com Pedro Juan Caballero, do outro lado da linha internacional.
3. O Pantanal ocupa grande parte do território sul-mato-grossense
O Pantanal é uma das maiores planícies alagáveis do mundo e tem presença marcante em Mato Grosso do Sul. Segundo informações da Fundação de Turismo do estado, aproximadamente 65% do bioma pantaneiro está em território sul-mato-grossense.
O funcionamento do Pantanal depende do ciclo anual das águas. Em determinados períodos, rios, corixos e lagoas avançam sobre áreas de campos e matas. Na época de vazante e seca, a água recua e deixa à mostra novas áreas de alimentação para animais e aves.
Essa alternância transforma a paisagem ao longo do ano. Por isso, a experiência de visitar o Pantanal pode ser muito diferente conforme a estação: períodos de cheia favorecem passeios de barco e observação de áreas alagadas, enquanto a seca costuma facilitar a visualização de animais em busca de água.
O Pantanal sul-mato-grossense também tem influência de diferentes formações naturais. A paisagem reúne campos, áreas florestadas, ambientes aquáticos e regiões de transição com outros biomas brasileiros.
4. As águas cristalinas de Bonito estão ligadas ao relevo calcário
Bonito se tornou um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil por causa de rios, nascentes, grutas, cachoeiras e áreas de mata. A transparência da água está relacionada às características geológicas da região, que possui rochas calcárias e sistemas subterrâneos capazes de filtrar e conduzir a água.
Em vários pontos, a água chega à superfície por meio de nascentes e ressurgências. O resultado são rios de grande visibilidade, usados em atividades como flutuação, desde que o visitante siga as regras de cada atrativo e respeite o limite de pessoas permitido.
A preservação é parte essencial desse modelo turístico. Em muitos passeios, o acesso depende de agendamento, acompanhamento de guia e controle da quantidade de visitantes. Essas medidas reduzem a pressão sobre nascentes, cavernas, áreas de mata e organismos aquáticos.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional reconheceu, em 1978, as grutas de Bonito como patrimônio cultural protegido. Entre elas estão a Gruta do Lago Azul e a Gruta de Nossa Senhora Aparecida.
5. Mato Grosso do Sul tem uma das maiores populações indígenas do Brasil
A presença indígena é uma das características mais importantes da formação social e cultural de Mato Grosso do Sul. O estado abriga povos como Guarani, Kaiowá, Terena, Kadiwéu, Guató, Ofaié, Kinikinau e Atikum.
Dados do Censo 2022 citados por órgãos públicos estaduais apontam que Mato Grosso do Sul tinha mais de 116 mil pessoas indígenas. O número coloca o estado entre os que concentram as maiores populações indígenas do país.
Cada povo possui trajetória, língua, território, organização social e tradições próprias. Por isso, é inadequado tratar todas as comunidades indígenas como se formassem um grupo único. A diversidade aparece na produção artesanal, nas práticas religiosas, na relação com a terra, na alimentação e nas formas de transmissão de conhecimento.
A cerâmica Kadiwéu é uma das expressões culturais mais conhecidas. Produzida com técnicas tradicionais, apresenta peças utilitárias e decorativas com grafismos próprios. O artesanato indígena deve ser adquirido de forma responsável, preferencialmente diretamente de artesãos, associações ou espaços autorizados.
6. O tereré é uma tradição com reconhecimento internacional
O tereré é uma bebida preparada com erva-mate e água fria, geralmente consumida em uma guampa com bomba. A tradição é especialmente forte em Mato Grosso do Sul e também está presente no Paraguai e em outras regiões de fronteira.
Mais do que uma bebida, o tereré está ligado à convivência. É comum que uma roda compartilhe a mesma guampa, seguindo regras de servir e de passar o recipiente entre os participantes. A prática pode incluir diferentes ervas e combinações, de acordo com o costume de cada grupo.
Em 2020, os conhecimentos e as práticas tradicionais do tereré foram reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Unesco, como patrimônio cultural imaterial da humanidade. O reconhecimento considera a importância social da tradição para comunidades do Brasil e do Paraguai.
Quem não está acostumado pode estranhar o sabor mais intenso da erva-mate. Para experimentar, basta observar como a roda funciona e perguntar antes de adicionar açúcar, ervas ou outros ingredientes.
7. A culinária recebeu influências do Paraguai e da Bolívia
A gastronomia sul-mato-grossense reflete a localização do estado e a circulação de diferentes grupos. Entre os pratos e alimentos associados à região estão a chipa, a sopa paraguaia, o locro, o arroz carreteiro, o churrasco, a mandioca e preparações com peixes do Pantanal.
A sopa paraguaia, apesar do nome, é uma espécie de bolo salgado feito tradicionalmente com milho, queijo, ovos e cebola. Já a chipa tem textura e formato próprios e costuma ser preparada com polvilho ou fécula, queijo e outros ingredientes.
O sobá, muito consumido em Campo Grande, também faz parte da diversidade gastronômica local. O prato tem origem na culinária japonesa, especialmente na tradição de Okinawa, e ganhou características próprias depois de ser incorporado à vida urbana da capital.
Ao experimentar a culinária do estado, o visitante encontra uma combinação de receitas indígenas, paraguaias, bolivianas, japonesas, pantaneiras e de outras regiões brasileiras.
8. O tuiuiú é um dos símbolos do Pantanal
O tuiuiú, também chamado de jaburu, é uma das aves mais associadas ao Pantanal. Com pernas longas, corpo branco, cabeça escura e uma faixa vermelha no pescoço, pode ser visto em áreas alagadas, margens de rios e campos abertos.
A ave se alimenta principalmente de peixes, anfíbios, répteis e outros pequenos animais. Sua presença está ligada à dinâmica das águas e à disponibilidade de alimento no ambiente pantaneiro.
Além do tuiuiú, o Pantanal abriga grande variedade de aves, mamíferos, répteis e peixes. Araras, garças, capivaras, jacarés, antas e onças-pintadas fazem parte da fauna observada em diferentes áreas da região.
Durante passeios de observação, a recomendação é manter distância dos animais, não oferecer alimentos e seguir as orientações de guias e operadores. A aproximação pode alterar o comportamento da fauna e oferecer riscos ao visitante.
9. O Forte de Coimbra preserva parte da história das fronteiras
Localizado em Corumbá, às margens do rio Paraguai, o Forte de Coimbra é um dos principais patrimônios históricos de Mato Grosso do Sul. A estrutura original, conhecida como Presídio de Nova Coimbra, foi construída em 1775 como parte da estratégia portuguesa de defesa e demarcação territorial.
O conjunto reúne elementos como capela, casa de pólvora, alojamentos, pátios internos, muralhas e baluartes. O local foi tombado pelo Iphan em 1974.
A visita ajuda a compreender como as disputas territoriais e a navegação pelos rios influenciaram a ocupação da região. Também mostra que a história de Mato Grosso do Sul não se limita ao turismo de natureza: há construções, cidades e sítios que guardam episódios ligados à formação das fronteiras brasileiras.
10. A Serra da Bodoquena combina cavernas, rios e áreas protegidas
A Serra da Bodoquena está associada a alguns dos principais atrativos naturais de Mato Grosso do Sul. A região reúne rios de águas claras, cavernas, grutas, dolinas, cachoeiras e áreas de vegetação nativa.
O Parque Nacional da Serra da Bodoquena abrange áreas dos municípios de Bonito, Jardim, Bodoquena e Porto Murtinho. A unidade de conservação protege ambientes importantes para a biodiversidade e para a manutenção dos cursos d’água.
Para visitar áreas naturais, é importante verificar previamente se o passeio exige autorização, ingresso, agendamento ou acompanhamento profissional. Também é necessário usar equipamentos indicados, respeitar as trilhas e evitar retirar pedras, plantas ou qualquer elemento do ambiente.
Como aproveitar melhor essas curiosidades
Quem pretende conhecer Mato Grosso do Sul pode organizar a viagem de acordo com o tipo de experiência desejada. O Pantanal é indicado para observação de fauna, passeios fluviais e contato com a cultura pantaneira. Bonito e a Serra da Bodoquena concentram atividades de ecoturismo, como flutuação, trilhas, visitas a grutas e banhos de cachoeira.
Também vale reservar tempo para conhecer museus, centros culturais, mercados, festas tradicionais e restaurantes. Em Campo Grande, Corumbá e outras cidades, esses espaços ajudam a perceber a diversidade cultural que não aparece apenas nas paisagens naturais.
Antes de viajar, consulte informações oficiais sobre períodos de visitação, condições climáticas, regras ambientais e exigência de guia. A Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul reúne orientações gerais sobre regiões turísticas, patrimônio, gastronomia e cuidados durante os passeios.
Conhecer Mato Grosso do Sul, portanto, é muito mais do que visitar um destino de natureza. É entender a história de um estado criado no século XX, reconhecer a presença dos povos originários, observar a influência das fronteiras e valorizar práticas culturais como o tereré, a culinária regional e o artesanato indígena.




