domingo, 25 de outubro de 2026
CIDADES

Jardim, em Mato Grosso do Sul, reúne história e natureza na Serra da Bodoquena

Jardim, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, é um dos destinos de natureza da Serra da Bodoquena. O município reúne atrativos como o Rio da Prata e o Buraco das Araras, além de locais relacionados à história da Retirada da Laguna.

Jardim, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, é um dos municípios associados ao turismo de natureza na Serra da Bodoquena. A cidade reúne rios de águas cristalinas, áreas de conservação, formações geológicas, observação de aves e paisagens do Cerrado. Ao mesmo tempo, preserva referências históricas relacionadas à Guerra do Paraguai e à formação do próprio município.

O destino está inserido em uma região conhecida pela presença de rios transparentes, nascentes, cavernas, dolinas e matas ciliares. Parte dessas características está ligada à formação geológica calcária da Serra da Bodoquena, que influencia a aparência das águas e o relevo local. O resultado é uma paisagem em que natureza e memória histórica aparecem lado a lado. (turismo.bonito.ms.gov.br)

Onde fica Jardim e por que o município se destaca

Jardim faz parte da área de influência turística da Serra da Bodoquena, conjunto regional que também envolve municípios como Bonito, Bodoquena e Porto Murtinho. O Parque Nacional da Serra da Bodoquena abrange áreas de Jardim e de outros municípios do entorno, com o objetivo de proteger ecossistemas naturais, paisagens, espécies da fauna e ambientes importantes para pesquisa e educação ambiental.

A região está localizada na borda sudoeste do Complexo do Pantanal e apresenta predominância do Cerrado, além de formações florestais associadas aos rios, aos afloramentos rochosos e às áreas de maior umidade. As matas ciliares têm papel relevante na proteção dos cursos d’água, ajudando a reduzir processos de erosão e assoreamento.

As águas cristalinas são uma das características mais conhecidas da Serra da Bodoquena. Segundo informações turísticas e ambientais da região, a transparência está relacionada à baixa presença de partículas na água das nascentes e à composição calcária das rochas, que favorece a deposição de impurezas no fundo dos rios. Esse processo também participa da formação de cavernas, condutos subterrâneos e depósitos de tufas calcárias. (turismo.bonito.ms.gov.br)

Uma história ligada à Fazenda Jardim e à Guerra do Paraguai

A origem do município está relacionada à Fazenda Jardim, estabelecida às margens do rio Miranda. A área ganhou importância durante os acontecimentos da Guerra do Paraguai, especialmente por estar vinculada às rotas percorridas pelas tropas brasileiras na região de fronteira.

Um dos personagens associados à história local é José Francisco Lopes, conhecido como Guia Lopes. Ele conhecia os caminhos do sul da então província de Mato Grosso e auxiliou militares brasileiros durante os deslocamentos do conflito. A trajetória também se relaciona à Retirada da Laguna, episódio marcado pela retirada de tropas brasileiras em condições difíceis, com doenças, falta de alimentos e ataques durante o percurso.

O chamado Cemitério dos Heróis é uma das referências históricas de Jardim. O local está associado à passagem das tropas e à morte de soldados durante a retirada. Por esse motivo, o município não é apenas um ponto de acesso a atrativos naturais: também integra o circuito de lugares que ajudam a compreender a presença da Guerra do Paraguai no território sul-mato-grossense. (servicos.ms.gov.br)

Da instalação da engenharia militar à formação do município

A ocupação urbana de Jardim ganhou impulso a partir da atuação da Comissão de Estradas e Rodagem nº 3, conhecida como CER-3, organização ligada ao Ministério da Guerra. A estrutura militar e de engenharia foi instalada na região para apoiar a abertura e a manutenção de caminhos, além de contribuir para a integração territorial.

De acordo com registros ambientais e históricos reunidos em plano de manejo da região, funcionários civis e militares passaram a viver em casas construídas nas proximidades da antiga Fazenda Jardim. Em 14 de maio de 1946, começou a venda dos primeiros terrenos aos servidores da CER-3. Em 1948, foi criado o distrito de Jardim, subordinado ao município de Bela Vista. Em 1953, a localidade foi elevada à condição de município. (imasul.ms.gov.br)

Esse processo ajuda a explicar uma característica do município: a relação entre infraestrutura, circulação regional e ocupação do território. A formação de Jardim ocorreu em uma área de passagem e de conexão, que posteriormente também se beneficiou da proximidade com os atrativos da Serra da Bodoquena.

Rio da Prata e o turismo associado à conservação

Entre os principais elementos naturais de Jardim está o rio da Prata, curso d’água ligado a atividades de contemplação, flutuação e observação da vida aquática em propriedades turísticas da região. O rio também funciona como limite natural em parte do território municipal e marca a divisa entre Jardim e Bonito.

O Recanto Ecológico Rio da Prata está associado à Fazenda Cabeceira do Prata, área que abriga uma Reserva Particular do Patrimônio Natural. As RPPNs são áreas privadas destinadas à conservação da biodiversidade, com regras próprias de proteção e possibilidade de uso para pesquisa, educação ambiental e visitação controlada.

Nos trechos visitados, a transparência da água permite observar peixes e a vegetação submersa. A experiência depende de normas de conservação, controle de acesso e acompanhamento operacional. Essas medidas são importantes porque a qualidade da água está diretamente relacionada à preservação das nascentes, das margens e da mata ciliar.

O plano de manejo da RPPN Cabeceira do Prata registra que a visitação turística ocorre dentro de uma área protegida e analisa a relação entre o uso público, a conservação ambiental e a percepção dos visitantes. O documento também identifica o rio da Prata como um dos elementos naturais mais relevantes do município. (imasul.ms.gov.br)

Buraco das Araras é uma das paisagens mais conhecidas

O Buraco das Araras é outro atrativo de destaque em Jardim. A formação é uma dolina, depressão de origem geológica associada à dissolução de rochas calcárias. O local tem aproximadamente 100 metros de profundidade e cerca de 500 metros de circunferência, segundo informações do empreendimento responsável pela visitação.

A dolina está inserida em uma área de Cerrado e pode ser observada a partir de mirantes e trilhas. O nome está relacionado à presença de araras-vermelhas, que utilizam a área e integram a paisagem observada pelos visitantes. O local também abriga outras espécies de aves e é procurado por pessoas interessadas em fotografia e observação da fauna.

Além do passeio contemplativo, o atrativo mantém ações relacionadas à educação ambiental, à produção de mudas nativas e ao plantio de árvores. A proposta combina visitação com iniciativas de conservação, uma característica presente em diferentes empreendimentos turísticos da Serra da Bodoquena.

A existência de uma dolina de grandes dimensões em uma área de vegetação nativa também chama atenção para a importância da proteção do entorno. Formações geológicas como essa são sensíveis à ocupação desordenada, à erosão e à alteração do regime de drenagem. Por isso, a visitação deve seguir as regras definidas para o local. (buracodasararas.com.br)

Serra da Bodoquena combina geologia, água e biodiversidade

A paisagem de Jardim não pode ser separada da geologia regional. A Serra da Bodoquena possui extensas áreas de rochas calcárias, que influenciam a circulação subterrânea da água e a formação de cavernas, abismos e nascentes. Em alguns rios, a deposição de carbonato contribui para a formação de barreiras naturais e tufas calcárias.

Esse conjunto geológico interfere na aparência dos rios e também cria ambientes variados para a fauna e a flora. Nas áreas próximas aos cursos d’água, as matas ciliares ajudam a manter a umidade e oferecem abrigo e alimento para diferentes espécies. Em áreas mais abertas, o Cerrado apresenta vegetação adaptada ao período de estiagem e às variações climáticas do Centro-Oeste.

A fauna regional inclui aves, mamíferos, répteis, peixes e espécies associadas aos ambientes aquáticos. No Buraco das Araras, a observação de aves é uma das atividades mais conhecidas. Nos rios da região, os visitantes podem encontrar peixes como piraputangas, curimbas e dourados, conforme informações divulgadas pelo município.

O Parque Nacional da Serra da Bodoquena foi criado para preservar parte desse patrimônio natural. A unidade também tem objetivos ligados à pesquisa científica, à educação ambiental, à recreação ao ar livre e ao ecoturismo. A presença de áreas protegidas reforça a necessidade de conciliar visitação, atividade econômica e manutenção dos ambientes naturais. (turismo.bonito.ms.gov.br)

Turismo de natureza e economia local

O turismo passou a ocupar espaço importante na economia de Jardim ao lado da agropecuária e dos serviços. A oferta inclui passeios em rios, áreas de banho, trilhas, observação de aves, atividades de educação ambiental e visitas a locais de interesse histórico.

O município também conta com estrutura de hospedagem e opções voltadas a diferentes perfis de visitantes, de acordo com informações divulgadas pela administração municipal. Em 2025, a Prefeitura informou a existência de mais de 700 leitos distribuídos em 12 hotéis, além de áreas de camping e pontos de apoio para motorhomes. Como esses dados podem mudar com a abertura, reforma ou encerramento de empreendimentos, a consulta prévia aos canais oficiais e aos responsáveis pelos atrativos é recomendável.

Os balneários vinculados ao rio da Prata oferecem alternativas de contato com a água e com a paisagem regional. A prefeitura informou que os balneários Santuário do Prata e Seu Assis tiveram licenças ambientais renovadas, enquanto o Balneário Ecopark dispõe de estrutura voltada ao lazer. A existência de licenciamento e de regras de visitação é um aspecto relevante para a operação responsável desses espaços. (jardim.ms.gov.br)

Visitação exige cuidado com os ambientes naturais

Em destinos de águas cristalinas, a conservação depende de atitudes simples durante a visita. Não alimentar animais, evitar a retirada de plantas, respeitar trilhas e mirantes e seguir as orientações dos guias são medidas importantes para reduzir impactos.

Também é necessário observar que cada atrativo possui regras próprias de acesso, idade, agendamento, equipamentos e acompanhamento. Informações sobre horários, valores, disponibilidade e condições dos passeios podem variar conforme a operação e a época do ano. Por isso, o planejamento deve ser feito diretamente com os empreendimentos ou com os canais oficiais de turismo.

A proteção dos rios é especialmente importante em Jardim. A transparência da água, que constitui um dos principais atrativos da região, depende da conservação das nascentes, da vegetação das margens e do controle de sedimentos. O turismo, nesse contexto, pode contribuir para a valorização do patrimônio natural, desde que esteja associado ao monitoramento ambiental e ao uso responsável dos espaços.

Um destino que reúne diferentes formas de conhecer Mato Grosso do Sul

Jardim se destaca por oferecer uma combinação pouco comum de experiências. O visitante pode conhecer paisagens formadas por rios e rochas calcárias, observar aves em uma grande dolina, percorrer áreas de Cerrado, visitar uma reserva privada e, ao mesmo tempo, entrar em contato com episódios ligados à Guerra do Paraguai.

A cidade ocupa, assim, uma posição própria dentro do turismo de Mato Grosso do Sul. Embora compartilhe com Bonito e outros municípios a identidade da Serra da Bodoquena, Jardim apresenta atrativos e referências históricas que ajudam a diferenciar sua trajetória.

Mais do que um ponto de passagem para atividades de lazer, o município revela como conservação ambiental, memória histórica e desenvolvimento turístico podem se relacionar. Os rios, as reservas, o Buraco das Araras e o Cemitério dos Heróis formam um conjunto que traduz parte da diversidade natural e cultural do sudoeste sul-mato-grossense.